quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Eu Sei o Que Nos Fez Separar


Pôr de novo os olhos no coração. Ver como a saudade faz a ferida comum. Doer por saber que se olha mas nada se diz. Doer por ver felicidade em todo o lado e nada ser dado para estarmos felizes também. Doer as mãos de tocar sem que o corpo o agradeça. Querer ao lado, com boas maneiras, sem cansaço no peito, para não saber como falar, nem saber como mudar a cabeça.
É difícil recordar o bom e o mau. Mas também precisamos do mau nas nossas memórias. Precisamos conhecer os caminhos e as explosões do inferno. Saber o que nos faz separar e gostar que nunca nos tivesse sido prometido o mundo. Porque, no fim, não importa. É essencial conhecer um, para no devido momento, saber reconhecer o outro.

domingo, 26 de julho de 2026

O Erro Será Sempre Nosso


Há momentos durante uma relação em que tudo muda, fatores impactantes que a transfiguram completamente, e em que forçosamente nunca mais conseguimos ser os mesmos. Por vezes a mágoa e o sofrimento tornam-se armas demasiado poderosas para as conseguirmos conter. O que fazer nesses momentos? Não me parece que hajam respostas certas nem universais. Mas uma coisa é certa, o mais comum é lançarmos feitiços de proteção, erguermos muros e barreiras. As más experiências passadas também voltam a ressurgir e damos por nós a dizer que não vamos passar novamente pelo mesmo. Quando as coisas terminam, e digo isto pelo meu ponto de vista, as pessoas deveriam crescer. Dentro de si, inovar-se, mudar e tornar-se melhores. Porque a personalidade molda-se, os objetivos de vida alteram-se, e o olhar sobre as coisas muda completamente. Não nos devemos perder nem deixar que tudo se resuma ao que aconteceu. Mas, sabendo nós que, o erro será sempre nosso...

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Quando o Céu Chamar o meu Nome


Na noite em que me sentir aliviado do coração, será quando ouvir o céu chamar o meu nome, e as estrelas a apontarem a sua luz sobre mim. Soltarei então todo o ar que retiver nos pulmões até esse dia. Todo aquele ar que não deixava sair, por ainda me querer lembrar do passado. Decidi deixar tudo sair, sem conter nada. Todas as nódoas negras que o meu corpo ganha durante o dia, preciso da magia da escuridão da noite para me cuidar.
Serei eu rápido o suficiente para fugir dos meus medos, ou irão apanhar-me? De nada me vale fugir dos meus medos. Posso abrandá-los durante dias, semanas, meses, anos, ou uma vida inteira, mas sei que todos, me irão apanhar enquanto no meu corpo houver vida. É por isso que vou acordando juntamente com o sol, e fico à noite, ao lado da lua. Para que a luz não me largue, até que o sol não acorde. Na noite em que me vou sentir aliviado do coração...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Sete


Agora que aprendeste a escrever, escreve sobre mim. Escreve tudo o que te lembrares de mim. Escreve para que nunca te esqueças de mim, se algum dia desaparecer da tua vida. Descreve-me nos teus cadernos, desenha os meus olhos, traça os contornos do meu rosto. Pinta a cor do meu pouco cabelo nas tuas unhas. Leva todas as palavras que deixei escritas em pedaços de papel, contigo.
Durante a noite sonha comigo. Sonha tudo o que querias fazer e tudo o que chegámos a fazer juntos. Neste momento apenas preciso de ter a certeza se o sorriso que tens no rosto é verdadeiro. Se um dia esse sorriso se irá manter muito depois de eu ter partido. Leva-me antes para dentro do teu coração, para que fique sempre apegado a ti.
Quero dar-te a vida, mas quem me dá vida, és tu.

sábado, 27 de junho de 2026

Half Way


Tenho uma imagem bem definida na minha cabeça. Era ali que eu gostava de estar. Digo eu para mim. Era mesmo ali que gostava de estar, e estou a meio caminho. Um dia, quem sabe, chegarei lá. O caminho é longo e poderei desfrutar até eventualmente chegar ao destino. Tenho ainda tanto por escrever, tantas palavras por publicar, por imaginar e sonhar dentro delas. Não quero morrer sem as ter acabado. Sem ter vivido o que é preciso para as acabar. Quero a tranquilidade e a paz que há no fim. No fim porque é quando temos as ideias fixas e a personalidade já não se molda mais. Porque a vida faz questão de nos deixar sozinhos a partir de determinado momento. Era naquele lugar que gostava de estar. Para acabar, para dar vida ao que há muito está morto e enterrado. Sobre a terra que me irá devorar durante anos, até que por fim não passe de mais umas pedrinhas neste mundo. Dar-lhe a vida que já não tem. Gostava de lá estar mas não dá. Quero abrir os olhos...

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Medo de Não Chegar a Viver


Olho tantas vezes para o céu, tantas vezes para estas quatro paredes gastas, sem sentir o conforto da almofada por baixo da cabeça. Lembro-me de tantas memórias que vivi, que tive dentro de mim. De tantas situações que me fizeram sorrir, outras tantas que me fizeram chorar. Como poderei eu, alguma vez, fugir do que me fez chorar? Ou perseguir tudo aquilo que me fez rir até não poder mais? Quando é que vou poder sentir algo, sem que sinta que é apenas mais um bocado de algo que faz parte de tanto?
Talvez sinta quando a idade me passar pelo corpo, a doença me calhar a mim, e a alma for maior que esta que tenho agora. É quando me apercebo quo os filmes de hoje, amanhã deixarão de ser vistos. Então, chego a pensar na morte. Não tenho medo de morrer, tenho medo que não chegue a viver tudo...
Se tu sentisses o mundo, como eu o chego a sentir tantas vezes...

terça-feira, 26 de maio de 2026

Montras da Vida


É no final da vida que a idade nos vem mostrar o que já fomos. Olhamo-nos ao espelho e vemos o rosto com rugas, a pele com cicatrizes. As mãos ganham os calos da vida, e a vida morre com a saudade que nos fez sofrer. Calamo-nos, ficamo-nos pelo silêncio, a olhar pela janela, sentados numa cadeira de madeira. Montras. É no que nos transformamos no fim da nossa vida. Montras de vidas, montras de memórias, de risos e lágrimas. Com o orgulho do lado de dentro e a saudade do lado de fora.
O barco em que navego pela vida que me resta, está muitas vezes, longe do meu porto de abrigo.


sábado, 16 de maio de 2026

Feito de Palavras


Tudo o que me torna gente são palavras. Amontoados de palavras, curtas, pequenas, largas, grandes, complicadas, simples. Moldam-me à sua maneira, criando este ser que hoje sou. Este eu que se cria e renova a cada minuto, a cada hora. O tempo não existe dentro de mim, não há um limite de palavras. Tudo se transforma dentro de uma certa vida que só as palavras conhecem em pormenor.
Expresso-me em letras que se transformam em textos, carregados de expressões, dores, sentimentos. Vontade de chegar ao topo, ultrapassar o limiar do céu, e depois cair sem corda, sem nada que ampare a queda. São essas letras que criam o ser, o individuo. Criam-me a mim na gente e na alma.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O Peso da Palavras - Parte II


Julgava que vivíamos todos os dias para poder sentir emoção sobre as sete camadas de pele que temos no corpo, para a adrenalina fazer fervilhar o nosso sangue e palpitar o coração ao estilo de um ataque cardíaco.
Em vez disso, por vezes, surgem do nada as quedas, as ilusões, as palavras desmotivadoras que espetam mais que facas acabadas de afiar, que nos fazem despertar a dor.
E, quando já nada importa, parece que a vida deixa de fazer sentido, tudo se perde, e caímos numa decadência quase infinita. Por vezes sou esse fantasma, que aos olhos de outrem não passo de um monstro, repleto de cicatrizes e falhas que me contornam o corpo, e, principalmente, a alma.
Talvez venha a recuperar, a erguer-me, a sair mais forte. Mas não será hoje. Nem amanhã. Será algures...

terça-feira, 28 de abril de 2026

O Peso das Palavras - Parte I


Já vi o sol ir embora muitas vezes, talvez demasiadas vezes na vida. E, mesmo com todo este percurso em busca da sobrevivência neste planeta, sofrendo de dores por todo o meu corpo frágil, faço-me forte. Quero parecer forte.
Mas tenho saudades de sair sozinho, sair com destino marcado mas na ignorância do que é a vida, ganhar a coragem de caminhar lentamente, de ver outros rostos a vaguearem. De pegar no papel e na caneta e começar a escrever o que os pássaros cantam e a desenhar palavras curtas mas com significado. Aquelas que não me saem da boca, que mereciam ouvir mas que o coração não quer nunca que saibam delas. Dizem que as palavras têm força. E alguém vai ter que levar com elas. E algumas matam. E não deviam.
Tenho que aprender a viver neste novo mundo.

sábado, 18 de abril de 2026

Um Mais que é Menos Um


Mais um ano e o céu nem brilha. Mas que muda? O meu rosto é o mesmo de antes. Tenho um ano mais, mas sou igual a ontem. Sofro da mesma doença de amar e do mesmo vício de escrever. Ou do mesmo vício de amar e da mesma doença de escrever. Sofro do mesmo. Rio das mesmas anedotas, faço as mesmas parvoíces, choro às mesmas horas, abraço o mesmo mundo. Tenho porém, um ano mais.

Um ano mais que é menos um, menos um para viver, para escrever, para me amar.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Um Amanhã Não Chega


O mundo está a girar na direção certa, tu é que corres na direção oposta. Não é o mundo que está ao contrário, és tu que estás de pernas para o ar.  E é tão difícil olhar para ti quando a luxúria te esconde.
Reparei que a hipocrisia está na moda, mas infelizmente é um acessório que não me fica bem. De que te servem as palavras bonitas e as frases bem construídas? Nunca precisei que me dessem o mundo, apenas que me quisessem manter nele.

sábado, 28 de março de 2026

Black Mirrors


Custa-te levantares-te e veres-te ao espelho todos os dias? Custa-te não gostares do que vês? Tens vergonha da cor dos teus olhos e do tom dos teus lábios? Custa-te odiares-te um pouco mais a cada olhar que te dás?

A mim custa-me levantar-me todos os dias e não ter espelho onde me ver. E, ainda assim pouco de mim descobri como enganar. Quando as luzes se apagam todas de uma vez ainda permanece nos meus olhos um pouco desse encandeamento, que me leva a crer que mesmo no escuro consigo encontrar o caminho e desviar-me dos obstáculos. E ainda assim pouco de mim descobri como enganar.

Como é que me posso despedir de algo que não existe?

quarta-feira, 18 de março de 2026

Em Saldos


Talvez deva pôr um anúncio no jornal... Vende-se coração semi-novo, cerca de 66355300001 batidas gastas, bom preço. Pois afinal não há como reescrever grandes histórias. Chega de princesas, chega de sapatos, chega de sapos. Um pouco de realidade, despertar... E tu um dia foste real, realmente o que tinha de melhor. Talvez o sol se deva afastar por um dia até o sentimento ir embora. Mas não há sentimento nenhum. Passado já não muda. Por que chamam presente ao agora se nunca foi uma dádiva? Do futuro nem vale a pena falar.

domingo, 8 de março de 2026

Reconstruir em Silêncio


São poucos os que lamentam pelo verdadeiro motivo, os que choram pelas razões certas, por terem o coração pressionado em dor e um vazio composto bem no fundo.
A verdade é que são quase inexistentes as razões para chorar: de cada vez que tudo se desfaz, é apenas nosso o trabalho de reconstruir, talvez de forma diferente, mais segura.
E nós continuamos a ver tão pouco. E o mundo é tão vasto.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Faz-te Diferente


Canta para te livrares de todo o mal que podes carregar nas tuas costas. Sente o ritmo da música com a tua pulsação a acompanhar pois a vida é demasiado curta para se pensar no que não nos vai realizar, então sê feliz.
Acompanhado ou sozinho, segue à tua maneira, como mais te apetecer pois ganhar e perder faz parte do teu caminho. Sente a liberdade a correr-te nas veias, a emoção do toque e de todas as sensações que o mundo nos traz, que a vida nos dá.
Somos demasiado egoístas para partilhar toda a beleza do mundo, mas partilha! Faz-te diferente e muda! Uma vez na vida, prova o gosto da liberdade e sente o teu coração arrebatado de felicidade.
Assim o mundo vai mudar, e tu também.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Um Minuto do Tamanho do Mundo


Quem não tem vontade de viver? De aproveitar cada momento e fazer dele o tempo que se quiser, de ser feliz, seja como for, com o que for? Ter vontade de correr, saltar num campo verde e gozar o sol numa tarde amena?
Querer rir sobre a derrota e vencer todos os medos... Querer ir mais alto, subir ao cume de uma montanha e gritar felicidade! Querer olhar as coisas em jeito de adoração e ver como não se via antes, cegueira derivada da má vida.
Quem sabe se um dia o vou poder fazer, esquecer o mundo e estar comigo mesmo. Um minuto que será o tempo que eu quiser, para o que eu quiser. Para sempre se eu desejar.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Atalho Para a Ausência


Perseguiste o caminho como se fosse este a fugir, largaste motivos, deixaste de entender o sentido de cada um destes gestos. Correste sem demora com medo de me perder de vista, sem te aperceberes que não era mais a mim que vias, mas uma sombra que deixei por aí, triste e só. Triste sem ti, só da tua presença, nesse atalho onde mais não estou, pois fugi de ti com um irregular receio de te perder sem ainda te ter tido ao meu lado. E tu, sem perceber, correste para mim, sem ver, e eu não estava mais aí.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Alta Definição


Peço-te que me definas com toda a tua exatidão, pois já não sou o que era, já nem sei quem sou. Dá-me o meu nome e o meu sangue, deixa-me viver em ilusão, que sou a única pessoa no mundo com o poder em torno das minhas virtudes e que só a mim me compete decidir assuntos da minha própria vida. Dá-me autonomia.
Diz-me o que fui para poder ser melhor e aprender a viver de verdade à minha maneira. Preciso ir buscar o legado do meu antigo pensamento para reter valores e contradições, então diz-me o que fui, por favor. Nem sei se vale a pena, se o que fui não conta mas sim o que sou agora. Já não sei nada! Talvez fosse melhor começar sem saber o que fui, com completa apatia em relação ao passado. Simplesmente recomeçar.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O Peso do Pensamento


Fui cor viva numa tela branca. Era já noite e o tempo estava ameno. Ouvi risos, conversas paralelas, algo que me pareceu o teu andar. Tinha acabado o meu time-out semanal e agora restava-me regressar a casa, deitar-me na cama alta e tentar não pensar. Ultimamente a cabeça pesa mais de tanto racionalizar as atitudes com as palavras e, embora saiba que não aprovam esta minha forma de ser, têm de perceber que o mundo não é assim tão leviano e fácil como me querem mostrar. Há muita estrada a percorrer, muitos espinhos a cortar. Gosto de ser livre, mais desprendido e, para mim, o gostar é sempre um gostar com tudo aquilo que daí advém. Que interessa o tempo ausente, as atitudes contraditórias, as palavras não ditas? O que interessa é que se gosta, independentemente dos pensamentos que nos possam ocorrer sobre os outros, dias a fio. Tenho frases que me vestem a pele, mas para mim é difícil mostrar o que sinto, impossível por agora. Eu não sou feito desse material.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O Espaço Que Não Sei Rasgar


Chegaste, com a mesma música de sempre e com a franqueza do costume. As minhas pernas balançaram ao ritmo da tua melodia no mesmo instante. Segurei-me ao portão de ferro e decidi que, se caminhasse lentamente de olhos presos no chão, não cairia. Deixamos sair umas quantas notas da boca sedenta de algo mais e, finalmente, abandonaste-me ao pé de mim na cadeira de madeira velha. O espaço... o espaço que te afastava de mim e que só me dá vontade de o rasgar, um espaço que eu começo a alargar ainda mais com as tuas promessas repetidas a cem mil espaços como o nosso. Talvez eu seja tonto, talvez eu perca aquilo que mais desejo, mas o meu coração não pode ser posto tão a descoberto abruptamente. Tenho medo que se constipe e que tal o leve a ficar com febres altas. Combinamos que a noite pode ser dilatada como o nosso espaço abismal e vamos ouvir as ondas estalar no meio das conversas feitas de vozes jovens e alegres. Dou-me a ti no silêncio, naquele toque que ainda está gravado em mim e tu nem percebes como o meu coração, cada vez mais desprotegido e fraco de tanto resistir, se enche de possibilidades e reconhecimentos de algo transcendente quando me apertas com força a mão fria. Talvez tu não te importes assim tanto que eu resista, talvez não te importes assim tanto com um espaço encurtado, talvez eu seja apenas mais um espaço no imenso espaço que é o teu espaço.
Vou cair não vou? Vou fazer um grande corte no lado esquerdo do peito e tu, com a mesma música de sempre e a franqueza do costume, vais cantar essa nota perfeitamente limpa e harmoniosa num outro espaço qualquer.