sexta-feira, 23 de junho de 2017

Viagens no Tempo


Caro eu de 20 anos,
Lamento ser eu a dar a notícia, mas o final apregoado pelas bocas mais invejosas deste mundo sempre se confirmou, não vais viver nesse conto de fadas idílico muito mais tempo. Não vais realizar os teus sonhos. O teu ego não vai transbordar pela magreza do teu corpo. Na realidade, vais-te rir, para não chorar, daquilo que estás a pensar que vais conseguir da vida.
Queres que te conte? Vais recorrer às velhas noites mal dormidas para acabar o curso e idolatrá-las como ninguém, vão ser as melhores amigas em tempos de recursos e estágios complicados. Também vão ser elas a fazer-te esquecer os desgostos amorosos, porque sabes, isso de andares a acreditar no felizes para sempre é um puro disparate. Vai por aí o teu plano de vida, onde as portas duplas vão ser as amigas de uma vida.
Por fim, meu querido eu, há dez anos atrás acreditavas que não irias chegar aos trinta, e adoro ser eu a dar a notícia, desta vez, as tuas visões estavam parcialmente certas. Chegaste lá, mas foram tantas as pancadas que acordas todos os dias sob o efeito de analgésicos para que não sintas nada.
Com amor, o futuro.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Matematicamente Falando


Um dia conheci um número. Estava cansado de tantos cálculos, somas, subtrações.
Fugiu. Queria conhecer o mundo, conhecer letras que não as gregas. Falou-me da matemática e da sua vida.
Quando nos despedimos, voltou para a folha de cálculo. Tinha abandonado o melhor de si nas folhas quadriculadas.
Passados uns anos, vi-o de mão dada com a morte, e como iguais abandonaram este mundo.
Apagaram-no.

sábado, 3 de junho de 2017

Tal Como eu Confio em Ti


Ter medo é normal. Atreve-te a seguir-me. Dá-me a mão para que possa partilhar tudo o que viver. Mostrar-te como a vida nos mata de susto quando caímos. Vamos pegar numa mochila e arriscar sair em direção ao desconhecido. Namoriscar nos cantos que o mundo nos oferece. Ficar lá uma vida inteira, ou duas, três.
Se eu aceitei a tua mão, aceitei-te a ti como a única pessoa que me podia conhecer o coração pelo interior e com isso poder magoá-lo. É porque alguma coisa eu sinto por ti. Se arriscaste dar-me a tua mão para te poder guiar até onde pudesse querer ir, é porque sentes alguma coisa por mim. É porque confias em mim. Tal como eu confio em ti e dou metade do que for meu ao teu coração.