
O amor das nossas vidas vem sempre para ficar. Desarruma tudo, rouba tudo. O amor das nossas vidas é um filho da mãe dos piores e deixa-nos sempre de joelhos no chão suado, e olheiras de noites passadas em branco. O amor das nossas vidas é mesmo assim e não pode ser de outra forma porque, se o fosse, não o era. Pensamos nele. Vemos o seu sorriso que não é dirigido a nós, que disfarça palavras entaladas e lágrimas sufocadas, sorrisos de circunstância, gestos que sobravam daqueles que nos acompanhavam. E há um fosso, uma muralha. Não podemos ouvir, não podemos tocar. E o nosso coração torna a descompassar, a gritar e a rasgar veias e artérias. E vemo-lo ir, como sempre, porque não é feito para ficar, para permanecer. Abandona o alcance dos nossos olhos. O nosso querer é transcendente, desumano, irracional, é proibido e insano, alcoólico e irreversível. Os amores das nossas vidas, se não nos servem, deviam eclipsar-se do nosso coração e não ficar no lugar das memórias vivas. O amor da tua vida não sou eu. O amor da minha vida não devias ser tu. O amor das vossas vidas não devia ser como o meu.