sexta-feira, 27 de junho de 2025

Pedras Negras


Disseste que juntos chegaríamos aonde quiséssemos, que nunca haveria pedras negras que nos pudessem separar. Dei-te a mão, que prometeste nunca largar, e fomos ao infinito. Nunca nos deixámos cair um ao outro, acreditei no teu olhar e na verdade que nos unia. Nada nos separaria, estava prometido.
Mas em silêncio, no breu da noite, largaste-me a mão. Falámos e prometeste que voltavas, mas nunca o fizeste. Se é de grandes esforços que nascemos, porque não nutrir esforço em pequenos gestos? Onde está a tua mão? Onde está o teu sorriso e o teu olhar? Onde estás?

terça-feira, 17 de junho de 2025

Fogo Preso


Olhava a noite, feito barata tonta em casa alheia com a família reunida a festejar uma festa qualquer. Vi balões suspensos por uma chama que eu também já tive, uma chama que tu me deste um dia e que, mesmo um pouco extinta, ainda se conserva no meu peito. Vocês sabem lá o que é rir com o coração ferido, forjar estados de espírito agradáveis quando as lágrimas doem ao sair. Tu lá sabes o que me fizeste, sabes lá o que é rir quando as lágrimas secam e não caem. Não, eu não queria festa. Não, não estava com disposição. Apreciei um fogo preso, próximo do sítio onde me encontrava. Os meus olhos não pestanejaram em resposta às cores e efeitos impossíveis que via formarem-se diante de mim. A noite caía quente, acompanhada de uma brisa floral. O fogo não cessava. Estive ali muito tempo, enfeitiçado por cores impossíveis, tal e qual o nosso amor, pois também ele é colorido e impossível. És fogo de artifício que me rebenta nas mãos.

sábado, 7 de junho de 2025

Velhos Amores


Às vezes, quando me falas, sinto-me a diluir. Sento-me no teu colo e desmancho-me no teu peito, sem recear a nada. Sei que sustentarás a minha vida nos teus braços. Sinto a força do teu afeto suportar-me o coração. a tua delicadeza a queimar-me a pele. E os meus olhos a perderem-se nos teus.