Afinal o que fazes tu enquanto eu vejo museus, enquanto piso ruas que não as minhas e amo camas que não as tuas? Afinal o que fazes tu enquanto me curo, enquanto faço malas e carrego baterias para recuar quilómetros de saudades que estupidamente te tenho? Afinal, o que fazes tu enquanto falo noutra língua, enquanto caminho rodeado de monumentos que me obstruem a visão como que compreendendo a fronteira que nos separa, os países que nos acolhem? Tudo. Tudo aquilo que fazias quando te metias no carro de bancos largos e as ruas eram pacatas e corriqueiras. Tudo aquilo que fazias quando falávamos na mesma língua e eu pensava que não precisava de viagens, de malas feitas à porta. Afinal tu sempre fizeste tudo. Quer eu visse museus ou me deitasse contigo. E aí é que está a fronteira.