
Sentas-te na escada do prédio, e olhaste-me como quem espera, sorriste e deixaste cair a cabeça para o lado. Aproximei-me, sem me lembrar do passado, aproximei-me por inércia, instinto. E tu olhavas um ponto fixo no lugar onde eu estava há pouco, com a mesma sensação de espera. Estava agora apenas a dois metros de ti e detive-me. Senti de novo todo aquele fulgor que nos unira, todo o sonho que uma mentira tua apagara tempos antes. Ouvi gritar o teu nome dentro do peito, dei mais um passo.
Abriu-se a porta do prédio e tu, sobressaltada, olhaste para trás. Era ele, o outro, aquele que agora caminhava a minha rota, entre os beijos dos teus braços. Afastei-me e uma das tuas lágrimas correu todo o meu rosto.
Felizmente há dois caminhos, entre os beijos dos teus braços! Nosso amor será clandestino!
