domingo, 25 de maio de 2025

Perdidos & Achados


O teu olhar, profundo, completa o meu, é colorido o imaginário do teu sorriso. És tu quem, secretamente, pinta de todas as cores os esboços dos meus sonhos. Encontrei-te uma noite, como por acaso, e tornaste-te o meu único refúgio. Há um olhar qualquer, sem ser o teu, a espreitar-me do fundo dos teus olhos. Há uma voz qualquer, não é a tua, que grita da tua garganta. Há um perfume qualquer, que não o teu, que emana do teu corpo. Há um sorriso qualquer, sem ser o teu, que enche a tua face. Como se tu tivesses mudado, e eu já não fosse importante. Tenho medo de acordar e estares perdida nos braços de outro. Tenho medo de olhar para o espelho e não te ver. Já não suporto a tua ausência. Se me procuras, porque insistes em não me encontrar?

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Esticar a Corda


Tenho saudades tuas e o seu reconhecimento devia ser suficiente para me sentir mais leve. Sinto saudades das tuas mãos na minha cintura, da tua boca na minha, dos teus olhos nos meus. Sinto saudades de te abarcar em mim, de sentir a tua visão trespassar-me o corpo dormente do teu toque confuso. Sinto saudades da música da tua voz. E pode parecer limitado, pode parecer insípido, mas tenho saudades tuas, daquelas mais puras, daquelas mais insuportáveis. É tarde e não te espero. Sei que não vens. Tenho saudades tuas e tu não sabes o que dizer. Tu, que tão boa és com as palavras. Eu, que tantas vezes meu pus à tua escuta, esperando que alguma vírgula tua me caísse nas mãos molhadas da água que deixo correr pelo meu corpo nervoso do teu. É tarde e penso em ti, conformado com a tua ausência. Sabia que não virias, só não sei quando vens. E vais facilitando a minha saudade, esticando a corda do amor impossível de abdicar, navegando na certeza de que estarei sempre aqui. Talvez assim fique para sempre, mas um dia a corda rompe com o passar dos dias, uma dia a saudade mata de vez e não deixa nada mais para trás a não ser um coração frio de decomposição. Ainda tenho saudades tuas, ainda estou apaixonado, ainda sou capaz de esticar a corda. Não demores muito. A saudade de mim é também muito grande.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Calor Humano


Tocas-me no braço e apareces por magia, como se de rotina se tratasse. Os meus olhos transformam-se em pérolas e a voz sucumbe de espanto, mentalizado de uma hora longa de chegada. Respiro fundo e esboço um sorriso. Levanto-me, dou três voltas e disparo com perguntas. Acalmas-me, repousando a cabeça no meu ombro. Encaminho-te para algum lado onde se veja o céu, escuro, carregado de raiva. É assim que me sinto, mas, o teu palpitar de mãos é sempre uma bênção. Queixas-te de como está calor e eu digo que sufoco com a humidade, um ambiente tropical instala-se em mim. Desvias-me da janela e levas-me até às profundezas, onde o frio apaziguador habita. Seria a hora certa de me dizeres que tens saudades, mas não. Em vez disso, agarras-me as mãos e perguntas como vamos ultrapassar isto que me mói. Enlaças-te em mim com perguntas que me clarificam e despertas-me senso racional. A partir daqui concordo com cada palavra tua, e nem o céu consegue superar a beleza dos teus olhos que encravam os meus, nem a honrada maneira de me apoiar. A tua estabilidade tem sempre hora certa.