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Tenho saudades tuas e o seu reconhecimento devia ser suficiente para me sentir mais leve. Sinto saudades das tuas mãos na minha cintura, da tua boca na minha, dos teus olhos nos meus. Sinto saudades de te abarcar em mim, de sentir a tua visão trespassar-me o corpo dormente do teu toque confuso. Sinto saudades da música da tua voz. E pode parecer limitado, pode parecer insípido, mas tenho saudades tuas, daquelas mais puras, daquelas mais insuportáveis. É tarde e não te espero. Sei que não vens. Tenho saudades tuas e tu não sabes o que dizer. Tu, que tão boa és com as palavras. Eu, que tantas vezes meu pus à tua escuta, esperando que alguma vírgula tua me caísse nas mãos molhadas da água que deixo correr pelo meu corpo nervoso do teu. É tarde e penso em ti, conformado com a tua ausência. Sabia que não virias, só não sei quando vens. E vais facilitando a minha saudade, esticando a corda do amor impossível de abdicar, navegando na certeza de que estarei sempre aqui. Talvez assim fique para sempre, mas um dia a corda rompe com o passar dos dias, uma dia a saudade mata de vez e não deixa nada mais para trás a não ser um coração frio de decomposição. Ainda tenho saudades tuas, ainda estou apaixonado, ainda sou capaz de esticar a corda. Não demores muito. A saudade de mim é também muito grande.