quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Devagar


Imagino qual seria a tua reação se algum dia lesses e percebesses aquilo que realmente sempre foste dentro de mim. Dentro da minha pele, dentro da minha cabeça, dentro do meu coração. Quando vejo um filme e vejo como nós somos tão idênticos às personagens principais. Quando atravesso as ruas com o meu olhar na esperança de te encontrar. Quando uma música se encaixa perfeitamente na nossa alma, na nossa história. Tenho sempre a incerteza se pensavas em mim como eu pensava em ti. Devagar. A distância nunca foi o nosso forte, é verdade.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Hora Errada


Deram-me um bilhete em teu nome, para assistir àquilo a que chamavas uma ode à tua vida.
Tinhas tudo para fazer um bom espetáculo, mas esqueceste-te de certos pormenores. A nossa música tocou na hora errada. Os atores não faziam jus ao que passámos. As palavras ditas nunca mostraram o seu real significado. Tudo se inundou.
Rapidamente me apercebi que poderia ter sido a peça de uma vida, se a história contada fosse a nossa.
Deixa-me que te diga que assisti a tudo de camarote em primeira fila. E a culpa foi tua e somente tua. Guardei-te dentro de mim, esperei-te e deixei-te viver.
Mas, na verdade, já nem me lembro de como te foste embora. E é melhor assim.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Máquina do Vazio


É como caminhar por dentro de nós mesmos e não encontrar nada nem ninguém. Mas ainda assim avançamos devagar para não esbarrar em memórias do que outrora existiu. É um silêncio que não vem de fora, mas que ecoa por dentro. É uma ausência difícil de explicar, falta tudo e nada ao mesmo tempo. As emoções parecem distantes como vozes abafadas por paredes grossas. É acordar e cumprir os rituais do dia a dia sem que eles façam sentido, como se estivéssemos a assistir à nossa vida do lado de fora.
Ainda assim esse vazio é também um espaço, um terreno fértil onde algo pode renascer. Talvez, nesse silêncio interno esteja o começo de um reencontro, um convite para que a luz entre e nos lembre que ainda existe vida em nós. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Intensidade


Amar-te intensamente é viver com o coração aberto, é permitir que o amor transborde sem limites nem cálculos, sem medo de me entregar por completo. Amar-te é sentir cada emoção à flor da pele e viver cada encontro como se fosse o último, como se o tempo parasse para celebrar a tua presença. É mergulhar no teu afeto sem reservas, com a coragem de me despir das máscaras e mostrar quem realmente sou. É ter-te, sem tratar-se de perfeição, mas de presença,  estar aqui, inteiro, mesmo nos momentos mais difíceis.
Amar-te assim é arriscar-me, sim, mas é também descobrir a beleza do ser tocado profundamente. É ter coragem de sentir tudo, de apostar todas as fichas acreditando que tens a melhor mão, na esperança de que cada gesto tenha peso e cada olhar tenha significado.
Amar-te é intenso, é real, e acima de tudo é transformador.
Amar-te, e ser amado.