quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Pirilampo Mágico


Os pirilampos podem ser criaturas magníficas, desde que vistas a uma certa distância. Se te aproximares demasiado, podes passar a achar que não passam de insetos repugnantes que podiam ser facilmente esmagados, não fosse pela luz que representam.
Acontece, contudo, que por vezes gostas de um em particular e já não parece repugnante, é só adorável e teu. E portanto leva-lo contigo, dentro de ti, para onde quer que vás, e deixa-lo iluminar-te.
E quando ele desaparece?
Ficas na escuridão, e não há nada. Não há luzes para esmagar nem para levares contigo.
Arranquei o brilho dos meus olhos e fiz um mapa. Ia conseguir sair dali. Foi então que ouvi um bater de coração. Também estavas na escuridão. Por isso fiquei contigo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Demasiadas Questões


Onde me perdi? Foi no amor ou no medo? Terá sido no tempo? Onde me perdeste? E porquê? Não sei o que sinto. Sei que cultivei o meu amor durante demasiado tempo. Quanto de mim mereces? Quanto de mim mereceste? E agora? Quantas vezes no teu dia me lembras? Nos lembras?
Juntei as folhas, ordenei os cadernos, arrumei a secretária. A caneta, o lápis e a borracha foram para a gaveta. Pus os pensamentos de lado. Nesse dia não havia nada para escrever. Nessa noite não havia nada para dizer.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Feridas


Esta ferida que me fizeste nunca mais se decide a cicatrizar. E muitas pessoas vêm por aí na tentativa de a curar, ou pelo menos, minimizar, mas ninguém consegue. Não sei se tu conseguirias, mas um dia espero(-te) e desespero(-te). Se o nosso futuro não é ao lado um do outro, então, por favor, alguém te tire do meu caminho. Ou pelo menos, do meu coração.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dores de Crescimento


Tropecei numas gavetas e dei com umas palavras minhas. Parei o que estava a fazer e li-me. Fui mais para trás. Fui ler outras versões de mim. Todas elas profundamente apaixonadas. E quanto mais recuava mais bonito era o mundo. Mais eram os sempres, mais eram os sonhos de finais felizes. Isso acabou, pelo menos por agora.
E não faz mal. Em versões de mim passadas, a solidão assustava-me. Agora, acho-a um pouco inevitável. Crescemos e a nossa casa deixa de nos chegar. Mudamo-nos, mas vamos sozinhos. E na imensidão dos prédios, no silêncio das viagens de carro, na correria de todos os dias, é inevitável que andemos sozinhos.
Penso que podia voltar àquelas versões de mim. À que acredita em sempres e que sonha com finais felizes. Mas assusta-me. Tenho medo. Bato o pé. Se deixar entrar alguém agora será que ainda haverá espaço para mim? Não quero perder a minha solidão. Já perdi tanta coisa.