Sim, está tudo bem. Um sorriso aqui, um aceno de mão ali, uma gargalhada vazia acolá. Tudo no seu sítio, a vida a correr bem. E quem olhar de longe para mim, no meio da multidão, havia de dizer que tinha graça, reconhecer que não me destacava por nada em especial. Sim, um rapaz normal, com sorriso rasgado e vida feliz. E eu, se os ouvisse, havia de dizer que tenho fingido estados de ânimo positivos, que para mim tem sido sempre inverno. Os meus olhos sempre conheceram a água. Mas não chorei. Inspirei fundo, liguei a música e olhei fixamente a luz. E resultou. Nem pinga. Ainda estou a salvo. A tua ausência mata e eu não sabia. As recordações passam em câmara lenta pelos vidros das montras de rua, pelas partituras que tenho que enfrentar, pelos espelhos que antes refletiam a nossa imagem. A tua ausência mata e eu não sabia. Eu não sabia quando te disse que sim.