quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Flood


Hoje apetece-me entrar no quarto e fechar a porta e não sair mais. Só amanhã se calhar. Fazes com que eu cumpra uma imagem que tu queres, tenho de ser ferro com tudo, aguentar os meus próprios problemas. Tenho que ouvir os teus lábios abrirem e fecharem enquanto encho o meu quarto de lágrimas, formo uma inundação e te molho os pés. Acordo todos os dias com os erros dentro de mim, porque se tornaram cicatrizes que ardem, bolhas nos pés que me impedem de andar. Pedes-me que pare e sou obrigado a parar quando no fundo não consigo. Alguém que me tire este cheiro a solidão da alma, esta amargura do corpo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Não Me Escrever


Fixo o olhar no vazio e à mente só me vem aquela incompreensível vontade de pegar na caneta e escrever. Só que não tenho assunto. Não quero escrever sobre dores incompreensíveis, nem amores mal passados. Não quero tão pouco escrever sobre fotografias gastas pelo tempo. No fundo, não quero escrever-me. É que o espelho partiu-se e eu já não consigo ver-me. Também não quero, hoje, inventar uma história nova e bonita de enternecer corações duros ou pedras de riachos. Hoje quero apenas escrever. Só que não quero escrever-me. Então escreve-se sobre o quê, nestes dias?
Se eu fosse uma pessoa normal, teria virado para o lado, deixado que a vontade acabasse por passar. Mas como não sou, peguei na caneta e escrevi. Escrevi sobre a banalidade de não escrever sobre coisa alguma. Escrevi isto.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Holding On


Vais-me fazer falta todos os dias, vais-me fazer muita falta todas as noites. Não me imagino sem o teu sorriso, sem os teus olhos. Vou ter saudades de te ter como refúgio, de como tu fazes sempre tudo ficar mais bonito. E vou-me tentar prender aos teus braços, durante mais tempo do que devia, porque não é justo haver o risco de te perder assim, sem nunca te ter realmente tido.