
É claro que sei dizer palavras calmas
e abraçar devagar os que chegam a meu lado...
É claro que sei inventar cantigas breves
das que à meia-noite perdem as notas e nos fogem precipitadamente...
É claro que sei voltar a casa e abrir a porta
e fingir que tudo está perfeito nos mesmos lugares de sempre
e que continuo com um sorriso na moldura de há 15 anos...
É claro que sei estalar os dedos
e com eles elevar o ruído por breves instantes em que a vida se resume...
É claro que sei esperar
e mesmo sabendo que apenas a solidão virá vou escolhendo a música perfeita...
É claro que sei as palavras mesmo que as não diga
e com as quais vou tentando a todo custo perdoar o mundo pelas horas que me roubou...
É claro que sei fechar as janelas às armadilhas
e assim impedir o seu regresso depois de terem saído à pressa...
É claro que sei viver nos ruídos da noite
e onde o silêncio é a única divisão da casa...
É claro que sei o que tenho que fazer
e no entanto é preciso querer
e tudo isso serve de desculpa para muito pouco...
É claro que sei...