segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sarcasmo


Mais tarde ou mais cedo a ilusão acaba, e sim, os sentimentos podem continuar a ser bonitos, para quem é imune, claro está. É triste que seja tudo nesta ótica do será eterno, até acabar, pois sim. Corações em todo o lado, contar estrelas, adormecer junto, procurar a mão, abraçar de forma verdadeira para aquecer. Mas dá trabalho, e ouvi dizer que nos saldos tem toda uma coleção de roupa quentinha que faz (quase) a mesma coisa e vem com garantia.

sábado, 16 de setembro de 2017

A Sala de Espera


Já repararam como estamos sempre à espera de algo, de alguém?
Uma palavra carinhosa, um abraço na hora certa, uma viagem que nos leve para onde sonhamos estar, uma melodia que nos toque a alma, uma carta de um amigo distante, um passeio que nos lave a alma por dentro, um boa noite do habitual vizinho, um tenho saudades tuas de alguém que ainda ausente nos traz cá dentro.
Inevitavelmente a nossa vida torna-se uma sala de espera, em que aguardamos algo: dos nossos pais, dos nossos amigos, de conhecidos, da vida, até de nós mesmos. Esperámos e voltámos a esperar. Esperámos que amanhã esteja bom tempo, esperámos não ter problemas, esperámos realizar os nossos objetivos, esperámos alguém que nos faça tocar na lua e voltar, ou então que nos ponha a viver nas nuvens.
E assim, vamos carregando a nossa vida, e a dos outros, com uma imensidão de sonhos, desejos, pequenos nadas. E em cada espera, a nossa angústia cresce e a nossa esperança é dissolvida, gota a gota, no vazio do fracasso. E, novamente, voltamos a esperar, mais e mais, dos outros, de nós, pequenas coisas que se tornam grandes, esperando um novo dia que nasça ou uma tristeza que passe.
Porém, o coração anda no compasso que pode e a vida não é uma sala de espera, mas uma questão de escolhas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

No Repouso da Minha Inocência


Quando fecho os olhos vejo o mundo de impossibilidades que a vida nos dá. Vejo a confusão na minha cabeça e a língua presa, que me sufoca a garganta e que me deixa sem movimento, paralisado nas ideias e incapacitado nas minhas possibilidades.
Então, quando abro os olhos, decido ver um mundo de hipóteses e amostras de concretização, onde o impossível é apenas o que negamos ser concretizável, onde por mais que queira não pondero o amor nem a razão.
A razão pondera-me e decide se vai utilizar-se de mim ou não. O amor é a constante independente da minha vontade ou do meu coração.