sábado, 27 de junho de 2026

Half Way


Tenho uma imagem bem definida na minha cabeça. Era ali que eu gostava de estar. Digo eu para mim. Era mesmo ali que gostava de estar, e estou a meio caminho. Um dia, quem sabe, chegarei lá. O caminho é longo e poderei desfrutar até eventualmente chegar ao destino. Tenho ainda tanto por escrever, tantas palavras por publicar, por imaginar e sonhar dentro delas. Não quero morrer sem as ter acabado. Sem ter vivido o que é preciso para as acabar. Quero a tranquilidade e a paz que há no fim. No fim porque é quando temos as ideias fixas e a personalidade já não se molda mais. Porque a vida faz questão de nos deixar sozinhos a partir de determinado momento. Era naquele lugar que gostava de estar. Para acabar, para dar vida ao que há muito está morto e enterrado. Sobre a terra que me irá devorar durante anos, até que por fim não passe de mais umas pedrinhas neste mundo. Dar-lhe a vida que já não tem. Gostava de lá estar mas não dá. Quero abrir os olhos...

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Medo de Não Chegar a Viver


Olho tantas vezes para o céu, tantas vezes para estas quatro paredes gastas, sem sentir o conforto da almofada por baixo da cabeça. Lembro-me de tantas memórias que vivi, que tive dentro de mim. De tantas situações que me fizeram sorrir, outras tantas que me fizeram chorar. Como poderei eu, alguma vez, fugir do que me fez chorar? Ou perseguir tudo aquilo que me fez rir até não poder mais? Quando é que vou poder sentir algo, sem que sinta que é apenas mais um bocado de algo que faz parte de tanto?
Talvez sinta quando a idade me passar pelo corpo, a doença me calhar a mim, e a alma for maior que esta que tenho agora. É quando me apercebo quo os filmes de hoje, amanhã deixarão de ser vistos. Então, chego a pensar na morte. Não tenho medo de morrer, tenho medo que não chegue a viver tudo...
Se tu sentisses o mundo, como eu o chego a sentir tantas vezes...