quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Distâncias Proíbidas
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Metamorfose
domingo, 11 de dezembro de 2016
A Profundeza do Ser
Quero que me vejas como eu me vejo, para que entendas o sentido de tudo em mim. Quero porque querer sempre me bastou e nunca me impediu.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
O Improviso
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Pesadelos Reais
O meu alter-ego quer um mausoléu digno de um rei. Não sei se isso alguma vez será possível.
domingo, 13 de novembro de 2016
Demasiada Bagagem
sábado, 5 de novembro de 2016
Quando nos Faltam as Palavras Certas
Partilhamos a mesma doença. Cobre as feridas, as cicatrizes dos cortes. Somos dois cadáveres de letras, possuídos pelo medo de morrer sem antes concluir todas as obras a que nos propusemos acabar antes do nosso tempo.
Quando nos faltam as palavras certas para escrever o que não queremos perder...
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
As Incógnitas
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Color Blindness
A este quadro digno de ser queimado, podemos juntar muitas mais partidas da vida, muitos mais pincéis delicados são capazes de nos atraiçoar, naquele instante onde misturamos o azul e o magenta, metemos demasiado azul e o quadro fica escuro. A vida não tem brilho, não é bonita. Preferia-a a preto e branco. Peço que seja a preto e branco. Mas já isso é demais. Ela mete mais cores ao barulho. Porque ela é assim. Impossível de contornar sem sair dos seus apertados riscos.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
A Única Oportunidade
Não tem a vida toda à sua frente, tem somente uma vida toda à sua frente e um medo profundo de não a conseguir ver. E isso consome-o noite e dia.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Another Game
Espero que voltes, que entres por aquela porta e digas que está tudo bem, enquanto eu finjo que bem estou também, pois suficiente foi o tempo de se secarem as lágrimas que sem te aperceberes deixaste que caíssem, uma por uma.
E assim será quando chegares, um jogo de figuras em que eu interpreto o papel de dono da felicidade enquanto tu crês que essa é a minha pele, ou será que, tal como eu, finges? Serás tu tão ator quanto eu e, afinal fazemos juntos, um jogo duplo? Porque parece não perceberes o que te digo sem palavras?
O pior ponto (quase) sem retorno é aquele em que, em voz ténue, alguém te pergunta "Quem és tu?". Tudo porque não conseguiste lutar contra o que te fazia deixar de ser tu mesmo.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Outros Tempos
Fossem os tempos do passado tão bons como os de agora e fossem os de agora tão bons como os do passado. Por muitas horas que passe ao teu lado nada substituirá os minutos que perdi a olhar para ti, observando o teu rosto e os teus gestos, estudando cada movimento teu, para que um dia mais tarde me possa lembrar de tudo.
domingo, 18 de setembro de 2016
Vírus
Não derivo de ninguém, ninguém deriva de mim. Sobrevive sem mim, eu sim não sobrevivo sem ele. Não faz sentido, nem o sentido o faz. Nada sei, não sei nada e sei de cor o trilho que ele segue, os sintomas que se manifestam em cada poro do meu corpo. Nada é o que parece ser. Não há qualidade na minha existência senão a que a ele lhe reservo. Alimento-o.
Não derivo de ninguém, mas ele deriva de mim, como um pedaço de vidro espelhado partido nos meus olhos. Deriva sem autorização, sem que eu lhe permita.
Deixei o bicho entrar. A mossa que ele fez já está demarcada, a ferida que ele abriu mantém-se por sarar. Constrói o seu próprio mundo. Existe para além do que vejo e ainda assim não vejo para além do que existe.
sábado, 10 de setembro de 2016
O Saber Perder(-me)
Perdi. Como é viver? Como é sentir que o mundo é o lugar a que se pertence?
Perdi as palavras para poder dizer que gosto da vida, perdi o gosto de acordar pelas manhãs quentes de verão. Baixo a cabeça, acho que perdi o mapa pelo qual me guiei até então, o então que perdi palavras para explicar, o então que me deixou perdido. Perdi a rota e estou perdido para saber o quão perdido estou.
Perdi-me.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Farol de Esperança
Ao teu futuro, não lhe dês um barco salva-vidas contra as marés, dá-lhe antes uma âncora e liga ao teu farol. É que o barco vira, mas a âncora de confiança vai manter-te lá, na tua alma, de pé fincado. E, um farol de crença irá guiar-te sempre a casa, a porto seguro.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
O que Realmente Importa
Talvez a vida seja mais do que isso. Talvez um dia encontre por aí quem me devolva a chama e o coração e a força. A tristeza dispenso-a.
Com o tempo, percebi que estar apaixonado é bom. Mas ser livre de alma e de coração pode ser ainda melhor. Percebi que ter alguém na minha vida não tem de significar andar de mãos dadas pela rua, não tem de significar dizer a todo o mundo que há alguém que me faz feliz.
Mas, acima de tudo, percebi que a felicidade está no nosso ser. Está na nossa força e no nosso lar. Está nos momentos com a nossa família e com os nossos amigos. Está dentro de nós. No que somos e vamos sendo. Ao lado de quem não nos perdeu nem nos faz perder.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Apanhado nas Teias
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Onde está a minha luz? Onde está a alegria que devia ser contagiante? Acho que deixei que tu tivesses esse efeito em mim, essa vontade de viver que me inspira. são paredes como as que foram construídas à minha volta que me impedem de te ver melhor, são as paredes que construí que me dizem quem sou, que me dizem que dor é esta que sinto no coração. Poderia dizer que és a doença, que és ao mesmo tempo a vacina para o meu mal. Apaixonei-me pelo teu pecado, envolveste-me numa teia da qual me foi difícil endireitar, principalmente para sair.
Já não tenho nenhum lugar para me esconder, apenas me resta esta escuridão que me persegue dia e noite, que me invade os sonhos. Perdi-te. A vida segue. O relógio não para. Fomos tudo. Agora nada. E eu, aqui parado, fico calado. Talvez seja apenas isso. Sentir escorrer. Perder.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Por Estranhas Marés
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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Mãos nos Bolsos
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domingo, 24 de julho de 2016
Vírgulas e Pontos
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E fui. E sou. Sem querer saber os meus ontens. É difícil crescer. Morreram esperanças e devaneios de infância, sonhos ingénuos e sem futuro. E mesmo sabendo que tudo tem um prazo de validade, há coisas que acabam por ficar entranhadas cá dentro, talvez até para sempre. Ainda assim, sei que um dia terei de refazer as malas, forçar as antigas memórias e os novos sonhos dentro delas. Direi adeus, e despedir-me-ei com um beijo. De bom dia, boa noite, bom fim. Bom recomeço. Um dia terei de dizer.
Eu, feliz.
sábado, 16 de julho de 2016
Take It or Leave It
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Silêncio, é do silêncio do mundo que eu preciso, é do silêncio da vida que preciso, que quero sentir. Estou cansado de viver a correr, preciso de uma pausa, preciso de tirar as preocupações da cabeça, de deixar a mão à vida, deixar de lhe dar colo, fazer com que comece a andar por ela própria, pois fiquei cansado de ter de lhe dar apoio. Preciso de viver, preciso de sentir e com ela como fardo não conseguirei andar para a frente.
Não sei o que faço. Se continuo com ela ao colo e faço a minha vida, ou se a largo e me faço ao caminho.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Cientista da Alma
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Sob o nome genérico de amor, quantas variedades do instinto? Quantas explosões de temperamento? Quantas satisfações de vaidade?
Existem mil formas de o exprimir, mil formas de o sentir. O amor não é apenas um impulso do instinto, é uma ciência da alma, a mais divina e a mais rara. É como se o amor fosse uma iniciação lenta, pela qual a alma se eleva à contemplação do mais puro infinito.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Somando Silêncios
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Há um tempo em que um ombro amigo já não chega e precisamos de um braço inteiro. Há um tempo em que as palavras deixam de fazer sentido e a falta de ações ganha uma importância fatal. Há um tempo em que é preciso parar de insistir no que não tem futuro, o mais difícil é saber como fazer. E, há um tempo, em que o silêncio passa a ser a maior defesa. O mais importante fica dito na presença do silêncio.
Cada um aceita o amor que acha que merece.
Como se nesta simples frase, estivessem somados todos os dias da minha vida.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Supermassive Black Hole
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Até que alguém abriu o ralo e tudo começou a ser arrastado para os céus. Primeiro foram as nuvens, depois os pássaros, que batiam as asas desesperadamente numa tentativa de se salvarem. As folhas cederam logo, e depois troncos foram arrancados e sugados.
E eu deixei-me ir. Seguido de um fio que parecia nunca terminar, e que ninguém agarrou.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Das Coisas Que se Foram
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Deixei de acreditar em deus. Toda a gente fala das crianças e dos seus amigos imaginários. Demorei algum tempo a perceber que os adultos também tinham um amigo imaginário, esse muito mais grandioso e magnífico mas na sua essência igual... invisível, inexistente, imaginário.
Deixei de acreditar na esperança, embora já mais tarde. Por muita esperança que houvesse, pessoas vão-se sem nunca ter a oportunidade de dizer adeus.
Deixei de acreditar em sempres. Foram muitas as juras e as promessas. E de repente era como se não tivéssemos crescido juntos, como se não se tivesse passado uma vida. De repente éramos estranhos. Não houve sempre que nos valesse.
Deixei de acreditar no amor também. Não sei o quando, não sei o porquê, não sei se alguma vez acreditei. Acho que duas pessoas podem ser felizes juntas, mas tudo o resto é demasiado fantasioso, demasiado utópico, demasiado mentira.
E mesmo assim sou feliz. Acredito em quê? Em nada. Em tudo. Em mim. Nos outros. Nas pequenas coisas. Nos finais felizes de todos os dias.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
O Significado de Uma Vida Plena
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Porque, se para ser melhor tenho de cair mil vezes, que caia duas mil. Saberei que, ao falhar tantas vezes, saberei duas mil maneiras de me voltar a compor, de me voltar a levantar. Porque, no fim, antes de a morte chegar, terá primeiro que bater palmas.
domingo, 29 de maio de 2016
De Não Cortar a Respiração
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Saí da minha zona de conforto. Avisaram-me que a sensação não ia ser agradável, que ia cair e voltar a cair. Que o sangue iria jorrar dos meus lábios, das feridas que o meu corpo adquirisse como tempo, com os murros que a vida me desse, mas o mais importante era continuar-me a levantar, continuar a acordar cedo de manhã, sorrir para o sol e pôr os meus pés na terra.
Não basta lembrar, tenho de querer respirar todos os dias.
sábado, 21 de maio de 2016
Novos (Re)Começos
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O contentamento encontra-se em qualquer contexto da vida, onde se brinca, onde se ama, onde se canta, onde simplesmente a vida ganha um aroma mais característico e a chama do nosso coração aumenta de intensidade. O momento é sempre inigualável e singular. Um corpo repleto de amor, uma boca que entoa palavras cheias de certeza, com a confiança de que sempre que se abre o coração para os dias bons consegue-se deixar um pouco de lado as adversidades que às vezes tanto assolam o nosso quotidiano, a melancolia finda-se e todo o novo dia é nada mais que uma nova música para os nossos ouvidos. É bom saber (re)começar.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
A Última Entrega

quinta-feira, 5 de maio de 2016
Relógios Parados
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Meu amor. Não tenho palavras. Dei-tas todas, durante o tempo que passei contigo. Não me arrependo. Só gostava que durasse para sempre.
O tempo voa e eu, às vezes gostava que ele parasse. E que eu, também, parasse no tempo... para ter a certeza que alguns momentos podem ser eternos... Apesar de serem, apenas, lembranças.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Dente de Leão
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Ela nunca fica muito tempo. Talvez não consiga, ou talvez não goste, ou nunca tenha encontrado uma razão para criar raízes. Veio numa tarde de primavera, ficou durante o verão e no outono já se começa a desprender, com o vento a puxá-la para longe de si, de mim e do mundo. E, quando o inverno se instalou já não a encontrei. Não em mim, nem nela. Foi-se.
É o curioso sobre os dentes de leão como ela, sabem, nem a si próprios estão agarrados.
terça-feira, 19 de abril de 2016
Falar sobre Amor

segunda-feira, 11 de abril de 2016
Passado é Passado

De vez em quando temos saudades do que passou, do que ficou. De vez em quando, temos saudades do que sabemos que, inevitavelmente, não volta mais. Dói, não poder voltar atrás no tempo e reviver todos os momentos que nos fizeram bem. Revivê-los, fazer o tempo parar e pararmos, também nós, no tempo. Tornar os momentos eternos, quem sabe, se a eternidade dos sonhadores assim existir. Dói, voltar aos mesmos lugares de sempre e só restarem lembranças que nos preencheram a alma e nos tornaram grande parte do que somos.
E, no fim da viagem, a solução é mesmo deixar o pensamento parado, quieto e silencioso, não pensar para não doer, ou, na pior das hipóteses, doer menos.
Querido passado, não voltes, fica onde estás.
domingo, 3 de abril de 2016
Follow-up
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sábado, 26 de março de 2016
The Riddle
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Começa antes de ter começado. Um pouco antes. Ninguém sabe quando começou. Só se sabe depois de já ter começado. Nem se sabe o que é, sabe-se só que já começou.
E depois não acaba quando devia acabar. Dura mais tempo. O coração bate mais tempo. Não há maneira de parar o coração.
E então é assim. Não há muito que se possa fazer. É mais do que suficiente. Tem de se aguentar. Todo o tempo que durar. Sem nunca saber, do princípio ou do fim.
Pode-se esperar. Sem saber o que se espera. É esse o verdadeiro esperar. Ninguém pode adivinhar o que traz. Pode trazer tudo. É isso tudo que se deve esperar.
Não tem nome, forma ou cor. Vem quando quer. Vai quando não se espera que vá. Não se deixa adivinhar. Ninguém tem mão nele.
sexta-feira, 18 de março de 2016
As 1001 Notas
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Todas estas histórias em mim, onde as li? Perdi-as há tanto tempo que já nem sei quem sou. Não distingo as vidas das personagens das minhas, ou se serei uma personagem dentro de mim, ou melhor, dentro dela. estou para aqui amontoado, a apanhar pó a um canto, ou talvez num centro, já não sei. Não percebo nada desta mistura de pessoas. Falo mas ninguém ouve. Ouço, mas ninguém fala. Não sou mais do que uma praia no inverno. Já te disse que ainda acredito em magia? Não sei bem porquê, o coelho nunca mais aparece... Talvez seja por ser tudo real aqui dentro.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Reanimação
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Sentes a tua pele abrir, dos pedaços de carne que estão agora separados por um rio de lágrimas vermelhas. Dói como nunca antes doeu, talvez seja por saberes que ou era desta ou era nunca. Podias ter ficado em standby, esperado mais uns tempos até dar resultado, mas a impaciência pela verdade levou a melhor. Podias ter ainda escolhido anestesia geral, mas gostas de sentir quando te tocam o coração. Mas, desta vez, desta vez não sabe bem, não são festas de recuperação. São choques de morte.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Navegar

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Confessions

Há coisas que me são difíceis de admitir... Às vezes é ridículo quão simples e boas as coisas podem ser se tivermos um pouco de coragem. Coragem para arriscar, para admitir o que era quase lógico, óbvio. E que eu se calhar não queria ver. Que se calhar não devia ter visto.
Esta seria uma carta para ti, Mas, infelizmente, as circunstâncias são mais uma vez traiçoeiras e o timing nunca é certo. Assim, acho que esta vai ser mais uma carta de mim para mim. Com amor.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
A Última Paragem
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Insónias

E, nesse momento, adormeceria. Tranquilamente.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
O Duro Despertar

Tive um presságio do infinito. Se o tempo me escapasse por entre as arestas polidas da minha memória, que diferença faria afinal?
Sentei-me e escrevi.
Mas onde e quando? Qual seria o tempo e a época de colher os frutos e talvez das flores da minha ambiguidade?
Temo por mim, por não ter razão em nada e por precisar de tudo. Por me agarrar a uma esperança e nela crer a minha salvação.
Pergunto-me quando iremos acordar e quando iremos de facto viver. Quando deixaremos de lado o nosso ego para nos entregarmos à realidade de estarmos vivos e de não sermos escravos de nada senão da nossa consciência. Podíamos ser tanto e deixámo-nos ser nada. E porquê? Convenceram-nos a isto. Que somos pó de estrelas que se convencem diariamente que a vida não serve de nada e que o estar vivo pode ficar para depois.
Mas existe. Tudo existe.
Tenho medo. E tenho amor. E de resto sou apenas terminações nervosas condenadas e extasiadas pela certeza plena da sua liberdade.
Nascemos para sermos felizes.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Pirilampo Mágico
Os pirilampos podem ser criaturas magníficas, desde que vistas a uma certa distância. Se te aproximares demasiado, podes passar a achar que não passam de insetos repugnantes que podiam ser facilmente esmagados, não fosse pela luz que representam.
Acontece, contudo, que por vezes gostas de um em particular e já não parece repugnante, é só adorável e teu. E portanto leva-lo contigo, dentro de ti, para onde quer que vás, e deixa-lo iluminar-te.
E quando ele desaparece?
Ficas na escuridão, e não há nada. Não há luzes para esmagar nem para levares contigo.
Arranquei o brilho dos meus olhos e fiz um mapa. Ia conseguir sair dali. Foi então que ouvi um bater de coração. Também estavas na escuridão. Por isso fiquei contigo.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Demasiadas Questões

Onde me perdi? Foi no amor ou no medo? Terá sido no tempo? Onde me perdeste? E porquê? Não sei o que sinto. Sei que cultivei o meu amor durante demasiado tempo. Quanto de mim mereces? Quanto de mim mereceste? E agora? Quantas vezes no teu dia me lembras? Nos lembras?
Juntei as folhas, ordenei os cadernos, arrumei a secretária. A caneta, o lápis e a borracha foram para a gaveta. Pus os pensamentos de lado. Nesse dia não havia nada para escrever. Nessa noite não havia nada para dizer.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Feridas
Esta ferida que me fizeste nunca mais se decide a cicatrizar. E muitas pessoas vêm por aí na tentativa de a curar, ou pelo menos, minimizar, mas ninguém consegue. Não sei se tu conseguirias, mas um dia espero(-te) e desespero(-te). Se o nosso futuro não é ao lado um do outro, então, por favor, alguém te tire do meu caminho. Ou pelo menos, do meu coração.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Dores de Crescimento
Tropecei numas gavetas e dei com umas palavras minhas. Parei o que estava a fazer e li-me. Fui mais para trás. Fui ler outras versões de mim. Todas elas profundamente apaixonadas. E quanto mais recuava mais bonito era o mundo. Mais eram os sempres, mais eram os sonhos de finais felizes. Isso acabou, pelo menos por agora.
E não faz mal. Em versões de mim passadas, a solidão assustava-me. Agora, acho-a um pouco inevitável. Crescemos e a nossa casa deixa de nos chegar. Mudamo-nos, mas vamos sozinhos. E na imensidão dos prédios, no silêncio das viagens de carro, na correria de todos os dias, é inevitável que andemos sozinhos.
Penso que podia voltar àquelas versões de mim. À que acredita em sempres e que sonha com finais felizes. Mas assusta-me. Tenho medo. Bato o pé. Se deixar entrar alguém agora será que ainda haverá espaço para mim? Não quero perder a minha solidão. Já perdi tanta coisa.
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