segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os Tempos do Tempo



Conclui-se que o tempo não ajuda... Esse espaço temporal que se conta em segundos...
Esse tempo que passe entre o tempo em que te deitas e o tempo em que percebes que não consigues adormecer...
Esse tempo que passa entre o tempo em que inspiras e o tempo em que percebes que não te chegou ar suficiente aos pulmões...
Esse tipo de tempo só faz mal...
Começas a questionar-te o que é feito de ti, em que te transformas afinal durante todo esse tempo que se arrasta?

Está tudo bem... A quem me perguntar, direi sempre que está tudo bem...
Felizmente, o tempo também inventou a mentira...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Reflexo



São 3 da manhã, e dormes no sofá com a televisão ligada apenas porque podes...
Os pratos estão onde os deixaste, ninguém os vai arrumar por ti...
Não tens planos para quando acordares, a não ser ires continuando a continuar...
A manhã desfaz-se em noite e o teu jantar dura exactamente 2:30 minutos...
Agora nenhum dos teus conhecidos sabe que são os teus únicos amigos...
E nenhum dos teus amigos sabe que são apenas conhecidos...
Agora tens que te habituar a estar sozinho, tal e qual como quando se nasce, tal e qual como quando se morre...
Agora és livre...
Agora podes fazer tudo aquilo que quiseres...
Apenas tens que o fazer sozinho...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Absence



Alguém roubou a música da chuva... Agora é apenas um som distante... A tocar para um público de um...
Neste quarto... Com as cortinas abertas... Com as luzes ligadas... Com o sol a brilhar lá fora... É nestas alturas que dói mais...

sábado, 22 de outubro de 2011

Indigestão



Pensas fugir dessa casa que te quebrou...
Onde cresceste daninha pelas cicatrizes que te deixaram...
Onde amarras pelos tornozelos os poucos que te amaram...

Faz de novo os sinais de fumo...
Move-te de forma lenta e abana a cidade...
Não te deixes ingerir pela sociedade...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Restos



Tudo o que fica para trás...
São pastas de fotos que não podemos abrir...
São músicas que já não soam da mesma maneira...
São números que já não conseguimos marcar ou escrever...
São restaurantes onde já não somos capazes de ter uma refeição...
São palavras e nomes que apenas conseguimos dizer na nossa mente...
São pares de olhos que já não se podem voltar a cruzar...

domingo, 16 de outubro de 2011

Soldier's Poem



Eu já estive neste campo de batalha muitas vezes antes... Já vi cadáveres em ascenção como se fossem flores na Primavera, prontos para enfrentar o destino que lhes trazes, para travar a mesma batalha, vezes e vezes sem conta... Já os vi vestirem as armaduras antigas e a sacarem das suas armas, para serem trespassados pelo coração uma vez mais... Tudo para encontrarem paz na Terra... Para descansarem... Até serem chamados à frente de batalha novamente...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

If Only You Knew



A cada dia que passa sinto que morro um pouco...
Não o sinto por ficar mais velho... Não é a idade nem a passagem do tempo aquilo que me enfraquece...
É um tempo, um tempo que recordo... Um tempo em que, em cada dia que passava, eu me sentia a nascer um pouco mais...

Se tu soubesses...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nowhere



Para onde fui eu?
Eu que nunca existi...Eu que te deixei em realidade quando tu querias também ser fantasia...
Para onde fugi? Em que lugar sonhaste ficar comigo um dia?
Onde te deixei? Em que rua da ilusão?
Num qualquer beco vazio, desprovido de mim e de qualquer emoção...
Serei afinal uma miragem?
Sobras tu, redonda e vazia... Sobras tu e a minha imagem...
Eu... Eu que nunca existi e rasguei essa vida sem razão...
E só nessa vida existi, num lugar, bem longe do teu coração...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Castelos de Areia



Que tipo de edifício sou eu? Porque escondo as coisas bonitas lá dentro onde ninguém as pode ver? Do lado de fora, tudo o que vês é canos e tijolos, poeira e sujidade... Ninguém quereria certamente entrar neste lugar...

A diferença é que eu vivo lá dentro... Os outros vivem lá fora... E o que parece visto lá de fora pouco me importa.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nada



Estou desesperado para descobrir como é o nada... É a ausência de algo que me fascina... É o ínicio... Todas as coisas importantes surgem do nada...

sábado, 1 de outubro de 2011

Solidão



Procuraste-me em ti e no meu silêncio... nada! Mostrei-me mais solitário que nunca...
Escutaste o meu quase respirar, o meu desdizer que nada diz...
Onde estou eu solidão?
Não estou... nem eu te acompanho...
Banho-te, visito-te e deixo-te só, mais só do que eu mesmo...
Inundada do tanto que eu sou, desamparada da minha companhia, da minha solidão...
Ficas tu, mais solitária que eu, na ausência de mim...

Tu, que te apelas a ti mesma de solidão, não terás mais a minha companhia...
Aguenta!!!