quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Flood


Hoje apetece-me entrar no quarto e fechar a porta e não sair mais. Só amanhã se calhar. Fazes com que eu cumpra uma imagem que tu queres, tenho de ser ferro com tudo, aguentar os meus próprios problemas. Tenho que ouvir os teus lábios abrirem e fecharem enquanto encho o meu quarto de lágrimas, formo uma inundação e te molho os pés. Acordo todos os dias com os erros dentro de mim, porque se tornaram cicatrizes que ardem, bolhas nos pés que me impedem de andar. Pedes-me que pare e sou obrigado a parar quando no fundo não consigo. Alguém que me tire este cheiro a solidão da alma, esta amargura do corpo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Não Me Escrever


Fixo o olhar no vazio e à mente só me vem aquela incompreensível vontade de pegar na caneta e escrever. Só que não tenho assunto. Não quero escrever sobre dores incompreensíveis, nem amores mal passados. Não quero tão pouco escrever sobre fotografias gastas pelo tempo. No fundo, não quero escrever-me. É que o espelho partiu-se e eu já não consigo ver-me. Também não quero, hoje, inventar uma história nova e bonita de enternecer corações duros ou pedras de riachos. Hoje quero apenas escrever. Só que não quero escrever-me. Então escreve-se sobre o quê, nestes dias?
Se eu fosse uma pessoa normal, teria virado para o lado, deixado que a vontade acabasse por passar. Mas como não sou, peguei na caneta e escrevi. Escrevi sobre a banalidade de não escrever sobre coisa alguma. Escrevi isto.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Holding On


Vais-me fazer falta todos os dias, vais-me fazer muita falta todas as noites. Não me imagino sem o teu sorriso, sem os teus olhos. Vou ter saudades de te ter como refúgio, de como tu fazes sempre tudo ficar mais bonito. E vou-me tentar prender aos teus braços, durante mais tempo do que devia, porque não é justo haver o risco de te perder assim, sem nunca te ter realmente tido.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

A Árvore da Vida


Foi num dia de chuva. O teu cabelo cheirava a orvalho e das pontas nasciam gotas como se de árvores e frutos falássemos. Em ambas as mãos trazias sonhos apertados, entrelaçando muito os dedos como se temesses a ida de algo maior daquilo que podias dispensar. Já dispensaras demasiado. Tinhas os olhos doces, dois pontos de mel muito atentos e felizes, mas que, neste dia, apresentavam um vermelho invulgar. Falavas depressa, numa correria atrapalhada como se o comboio da vida te fugisse das mãos pequenas. A tua expressão era séria e, quem a visse, diria que nuvens negras se aproximavam. Os pés doíam-te, descalços, a sentir com mais firmeza as irregularidades do piso. Não te importavas, dores maiores existiam. Foi num dia de chuva que te abandonaste e que caíste desamparada ainda fria do orvalho. Frutos viste nascer dos teus braços e árvore ficaste.

sábado, 20 de novembro de 2021

Sometimes


Por vezes na lassidão dos dias, há letras que ficam por juntar, palavras que escrevemos mentalmente e que nunca chegamos a dizer. Por vezes, no alvoroço das manhãs, deixamos perder-se o som do silêncio e as letras que não se dizem tornam-se pontas soltas de um passado mal contado. Por vezes, no errar das noites, frequentamos de novo os lugares que um dia perdemos e entre o passar dos dias, reencontramos neles a plenitude. Por vezes, as pessoas que nada nos são, são aquelas que mais sorrisos têm para nos oferecer. Por isso, no dia da tua partida vou deixar tudo espalhado pelos nossos sítios. Sei que um dia hás-de perceber que estavas enganada e vais reencontrar esses sítios, mas já não serão nossos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Sour


Não sei se é bom ou se me faz bem, mas sinto-me bem assim, aninhado em mim mesmo. É que comigo, sei que posso contar. Sobre mim, sei que me poderei sempre aninhar. Porque tu já não me deixas aninhar em ti. O meu prazo de validade expirou, não foi? Sinto-o. Apesar de ainda me procurares, sei que o nosso prazo expirou.
Houve uma altura em que me perguntei porque já não me querias. Será que só porque agora dou dores de barriga já não me queres? A ilusão de poder ser diferente, de o céu poder ser branco e não azul, de as rosas poderem ser todas azuis e não do comum vermelho. Eu pensava que tinha conseguido a receita. Que tinha descoberto, contigo, o segredo de um conservante forte, resistente às intempéries da vida. Mas afinal parece que também nós ficamos azedos. Dou-te dores de barriga agora. Por isso puseste o rótulo e despachaste-me com uma reclamação de produto sem validade para a loja onde me foste buscar.

sábado, 30 de outubro de 2021

Sobreposição


Tenta esquecer tudo o que eu te dou, tudo o que eu te dei, e vê-nos assim de longe. Vê o que somos, o que não somos, o que não há. Tenta perceber que não chega para mim. Ensina-me a andar, a respirar, a falhar. O teu amor não me percebe, a tua mentalidade não me sente, a tua vida não me pertence. Tenta conseguir realizar um objetivo, nem que seja veres-te livre de mim. Desta farsa triste, redundância esquecida, que eu não percebi. Afasta-te de mim, foge do meu alcance, mas leva-me para longe, não me deixes aqui, aqui não escaparei de ti.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Uma Nova Noite


Hoje o dia não é meu, nem teu, nem de ninguém. Hoje o dia é um corpo isolado gritando por afeto. Não o tomes teu, não o tomes nosso. Não procuro o teu apoio nem anseio as tuas desculpas. Deixa-me ir, que o sol já se pôs. Larga-me agora, que me vou deste caminho e mais nenhum se segue. Rasgo-te o coração enquanto me arranhas o corpo, mas todos os planos se desvanecem. Deixa-me cair, que a noite já chegou. Não te estou a pedir autorização nem tão pouco conselhos. Estou apenas a informar-te: vou ser feliz.

domingo, 10 de outubro de 2021

Terapia


Entro muitas vezes numa terapia que é incapaz de me curar mas que me faz bem psicologicamente. É um trabalho árduo, este de convencer a nossa própria autonomia do que ela é capaz de fazer. É a regra chave do ser humano, pensar que precisamos de alguém para dar o passo seguinte. Na realidade possuímos tudo para o fazer, apenas queremos sentir o apoio de alguém que esteja do nosso lado. Isto de se ter de viver a vida tem que se lhe diga.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Afastar a Saudade


É aquela saudade que não se vê, que não se mostra, mas que dói e faz buracos no coração. Aquela saudade que não se ouve, que se camufla em melodias e sorrisos estridentes, mas que faz mais barulho que o bater de uma porta no meio de um silêncio intrigante. Aquela saudade que nos come aos bocados, porque é assim que mais dói, mas que nos deixa completamente intactos aos olhos de quem nos vê. Aquela saudade que não nos mata, mas faz sofrer. Aquela saudade que os dias não ajudam a suportar mas que o tempo nos obriga a tal, por nada perdoar. Saudade essa que carrego no peito todos os dias. Fica a sensação, ou melhor, a certeza, que os sentimentos que nutrimos pelas pessoas crescem à medida que as perdemos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Próximos Passos


A vida faz-se de etapas e de momentos. De dias e de pessoas. De recados e de desenhos. De palavras e músicas. A vida faz-se de pessoas como tu. Como eu. A vida faz-se de pessoas como nós. É disso. E de muito mais. Já tinha conseguido aceitar que teria de começar toda uma nova vida, em direção ao desconhecido. Não sabia é que o teria de fazer sozinho.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Ratoeira


Às vezes pergunto-me, até, se não terás sido produto da imaginação, uma ratoeira da minha mente, tão fugaz foi o nosso tempo. E, nessas alturas, só me apetece gritar. Gritar e fugir. Dizer que acabou e pôr-me a andar daqui para fora. Para um sítio onde nem eu me possa encontrar. Só que deixo sempre para amanhã.
Por vezes pergunto, quando se sabe que uma história acabou? Hoje sei o quanto é simples. Uma história acaba quando o coração sabe que tem que deixar alguém partir. E hoje chegou, por fim, o dia em que o meu coração aprendeu que é possível deixar partir alguém, não se partindo de todo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Partidas


Crias a instabilidade na minha vida com a mesma rapidez com que mudas de música quando esta não te agrada. Só que esqueceste que eu não sou mais um daqueles rádios velhos que já estás farta de usar. Eu sou bem mais que isso, mas tu não vês. Não verias mesmo que eu estivesse à tua frente, enfeitado como uma árvore de natal, sinalizando tudo aquilo que sou.
Mas tu tentaste. Eu sei que tentaste preencher os vazios e os espaços em branco. Porém, compreendo agora, não foram os vazios da minha vida os que quiseste preencher, mas sim os da tua. Tu também tens vazios sabes? Talvez mais do que aqueles que conheces.
Tentaste eliminar um vazio, mas agiste que nem uma toupeira. Cavaste, fizeste túneis, e, depois, ficou o vazio. E foi quando tu partiste que eu dei conta desse teu jogo sujo. Foi aí que eu fiquei a descoberto. E nessa altura vi que não ficou ali ninguém, naquele espaço que ocupaste. Não estava ali ninguém porque na verdade nunca esteve.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A Tua Alma


Gelas tudo por onde passas e quando falas há uma luz que nasce em mim, luz que rompe o cimento, o silêncio, e aí tudo ganha forma em mim. Eu quero tocar a tua alma, quero ouvir a tua alma. Eu quero escutar a tua voz, quero sentir a tua pele. Eu quero que o teu sorriso acabe com o meu desejo. O meu mundo acaba em ti!

domingo, 1 de agosto de 2021

Like a Bullet Through the Brain


Eu não sei porque acredito. Porque me iludo com simples factos. A segurança que me dão estes simples gestos. Inigualável, não sei porquê. Mas dá-me força. Por momentos acredito em mim, algo que nunca fui bom a fazer. Talvez seja esse o problema. Confio mais nos outros do que em mim. Tenho mais estima em todos do que em mim. E de certa forma esta ilusão real dá-me segurança. Mas tal como numa montanha russa, a confiança dura pouco, e a descida para a insegurança é rápida com uma bala.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Jornada


Quando dei os primeiros passos de menino nesta vida, vi bem de perto os meus sonhos a desabrochar. Eu quis que assim fosse. Iniciei o meu percurso por imensos corredores que ouso dizer que são mágicos pela imensidão de aprendizagem que possuem. Encarei cada etapa bem de frente e as adversidades que foram surgindo, o vento foi soprando-as para longe. Trago em mim o amor que sempre albergou no meu peito, dentro do meu tímido coração.

sábado, 17 de julho de 2021

De Poucas Falas


És de poucas palavras e às vezes perdes por isso. Pelas poucas palavras que tens, que dizes, ou que fazes. És de poucos sentidos, e perdes-te por isso. Vives a vida num labirinto, perpétuo sem fim. Às vezes queria ajudar, queria poder mudar-te um bocadinho, dar-te o que sempre te dei, fazer-te o que sempre te fiz, de bom, de doce, de oportuno e delicado. Mas perdi-me. Com tanta pequenez de palavras, com tão pouco sabor que deixaste no caminho eu fiquei quieto. Choro, mas agora, quem fica em silêncio sou eu, e tu nem sabes. Afinal, não posso dizer tudo pois não? Na verdade não fui embora. Ainda.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Dois


Seria criança se batesse palmas no dia em que crescesses, mas feliz e firmemente sei que um dia é pouco para uma transformação tão significativa e é por essa mesma razão que te bato palmas desde o dia em que me fazes feliz.
O momento em que deixas de te preocupar com as figuras tristes que fazes marca o instante em que a felicidade é o teu maior objetivo, e aí, provavelmente, já estás a atingi-la.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Invólucro


Caminhava pela rua, calcando o chão com uma confiança estonteante. Arqueava suavemente as costas formando um arco demasiado largo para ser denominado de tal. Dirigia o olhar para tudo o que o rodeava, nunca pousando o chão. Confiante, seguro de si. Ao verem-no assim, ninguém diria que possui cavidades no coração. Ninguém adivinharia como sente a tua falta.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

PostCards


Fazem agora às três da tarde precisamente vinte e quatro horas desde a última vez que te vi. E lá estavas tu, bela, calma e serena, com ar de quem esperava alguém que tardava em chegar. Pena não ser eu. O melhor (ou pior) de tudo é que anseio de maneira inimaginável fazer parte desse teu bem-estar contagiante que cativa todos, mesmo sem ter sequer ouvido falar do teu nome. Quem sabe talvez um dia possamos ser amigos à primeira vista, para que me fales de ti e de tudo o que viveste. Gostava de te poder dar alegrias e quem sabe, um dia mais tarde continuar a dar-tas.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Até Já


Hoje apetece-me escrever-te. Não sei o quê ao certo. Dizer-te obrigado por tudo. Sorriste-me de uma maneira especial, como não sorrias a mais ninguém. Apaixonei-me, sabes? Eu quis levar-te à lua, dar-te mundos e fundos. Ser aquela pessoa que te liga a perguntar o que andas a fazer, no meio de toda uma azáfama em que te encontras, e que te aparece à frente nem que seja só por um leve beijo. Sentir-te. Acarinhar-te. Ser alguém pelo qual tu eras capaz de largar isto, largar aquilo, por muito importante que seja, e levar-me a esquecer o mundo para me encontrar contigo, aqui e longe de tudo e de todos.
Alguma vez recebeste uma flor? Alguma vez te levaram a andar de gaivota? Vamos, anda. Um passeio de mãos dadas e eu fico feliz para o resto da vida. O sonho está à minha frente, atrás de mim, à minha volta e eu não fujo mais. Até ser hora de acordar. Não há despertador, não acontecem coisas más, não há beliscões. Mas um leve acordar no fim de contas.
Falo de ti a toda a gente. Ela é assim ela é assado. E apareces. Apetece-me guardar-te mil momentos dentro de uma caixinha. Em mil fotografias. Ando por aí à tua procura. Chapinhei no céu azul a olhar cá para baixo. Apertei-te as bochechas e roubei-te o nariz. Magia! Fugi a rir-me. Vieste atrás de mim, querendo-o de volta. Sabes o que quero em troca. Sim, é chantagem. Adoro quando os teus olhos me dizem tudo, tudo. Estes abraços fazem-me sentir seguro, fazem-me sentir em casa. Quando é que prometes que ficas para sempre? Apetece-me. Vou ali atirar uma moeda à fonte, pedir um desejo. Até já.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Demasiado Bem


Estou sentado no passeio, bem à tua porta. Fecho o casaco que me protege do frio e tento escrever para ti. Mas a chuva aparece e não me deixa acabar. As lágrimas aparecem e o desassossego desta alma torna-se irritação e rasgo a folha em dezenas de pedaços. Abro a mochila e tiro mais uma folha e isto é o que te quero escrever nesta folha de papel desfigurada pela chuva:

"Estás linda. Vejo-te da janela, a ouvir a música que sai pelas colunas do teu computador, vejo-te a dançar harmoniosamente. Sorrio, mas não me atrevo a bater à porta. Estás demasiado bem sem mim, sem a minha presença tensa e desconfortável. O meu medo não é perder-te, o meu medo é amar-te demasiado. Tenho medo de que ao amar-te tão profundamente não te fale, que não diga mais que um olá e não passar daquelas conversas típicas. Estás linda assim. A distância é curta e fazes-me tanta confusão no coração. Demasiado bonita."

domingo, 16 de maio de 2021

O Sítio Onde Somos Nós


Um dia talvez venhas a viver comigo. Junto a mim sem nunca tirar esse bonito sorriso da cara e esses sonhos todos dos olhos. Todos os sonhos que querias concretizar e nunca chegaste a conseguir. Abraçada a mim, sufocando durante alguns momentos. Que bom seria poder levantar-te no ar e saber que eras a escolha mais certa que me podia acontecer. Desejava-te para sempre assim, detida nos meus braços, enquanto partilhavamos o carinho que houver para dar enquanto estamos assim, vivos.
Se eu te agarrasse pela mão e te dissesse que íamos para o sítio onde as almas andam soltas pelo ar e os corações são de plástico, vinhas comigo?

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Poison


Alguma vez sentiram, por um lado, que tinham tudo mas que, por outro lado, vos faltava algo essencial?
Tenho-me sentido assim e não gosto nada. nada mesmo. Detesto sentir que me falta alguma coisa e saber que essa coisa é aquilo que, quanto mais procuro, mais longe parece estar. Eu sei, eu sei que se deixar as coisas acontecerem naturalmente o que me faz falta vai aparecer, mas é isso que eu tenho feito sempre e, até agora, nada. Há dias em que o amor que carregamos dentro do peito se torna veneno.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Através dos Meus Olhos


Vejo-te linda. Com esses teus olhos. Fica-te perfeito esse teu olhar simples e cúmplice. Esse sorriso fofo mas que ao mesmo tempo te dá ares de aventureira. Respiras com a breve colocação do olhar no céu, não suspiras, apenas respiras. És a perfeição do mundo numa só pessoa. Não partas. Deixa-me ouvir o teu coração. Eu sei que ele não bate por mim, eu sei que ele não gosta de mim, mas deixa-me encostar o ouvido ao teu peito e ouvir. Pode ser que consiga dizer que me ama.

domingo, 18 de abril de 2021

Sem Ruído


Amor não se idealiza, constrói-se do nada como nós bem sabemos. Deixaste-me entrar dentro de ti, sem questionares-me absolutamente nada. Aceitaste-me assim, tal como sou. Não te peço nem quero um lugar acima, quero que continuemos assim com tudo de bom e mau. Deixa-me apenas ficar contigo e não vamos ligar ao demais. Não importa e tenho dito.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Sombras


Às vezes tenho a sensação que te escondes de mim. Que foges do meu olhar, que te refugias nas sombras que não consigo alcançar. E isso magoa-me. Dói-me tanto saber que estás aqui, mas demasiado longe do meu toque. Dilacera-me a alma ter consciência que não queres ser encontrada, de que queres continuar assim, uma perdedora na tua própria vida.
Um dia vou ser eu a brincar às escondidas contigo. Vou-te deixar totalmente às cegas. E aí vais-te arrepender de não teres partilhado as tuas sombras comigo.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Tempo de Decisões


Já pensei que gostar de ti fosse a minha melhor virtude, mas afinal isso não passou do meu maior defeito a viver num mundo de aparências. E às tantas nem é defeito, é feitio. Por isso desisti temporariamente de lutar por algo que tão cedo não regressa a casa, e quero que saibas que não é por não gostar de ti. E por acaso é precisamente pelo contrário.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Dedicado


Mundo imaginário, meu velho amigo. Tornaste-me numa criança feliz quando apareceste com um lápis e uma borracha no momento em que fechei os olhos pela primeira vez. Deixei-te entrar, desenhando as primeiras paredes, as primeiras sementes que dariam árvores com o passar dos anos. Eu preciso tanto de ti. Todos os dias me lembro de ti. Todos os dias em que fecho os olhos para sonhar, imaginar ou escrever sobre qualquer coisa.
Disseste-me ao ouvido que poderia ser tudo o que quisesse. Por isso, escolhi ser rei. Pude assim construir o meu castelo, pedra por pedra. Suor a suor, trabalhando arduamente até atingir a meta que tinha estipulada no meu imaginário. Qualquer casa, castelo de grandes fortificações, não se comparam com o que construí. Os sonhos são perfeitos, tiram-me o medo, os soluços, os choros. Mesmo assim não consegui fazer tudo isto sozinho. Não o conseguiria sem ti, sem a tua grande maneira de me ensinares, de não negares em ensinar-me como se fazia isto ou aquilo.
Qualquer dia, sou eu que te irei ajudar a construir um castelo, pai! Prometo. E que continuemos a ir à bola!

terça-feira, 9 de março de 2021

Negócio de Conveniência


Como fuga, entras-lhe pelo carro. Porque não confias nele o suficiente para quebrar e chorar e porque ele, normalmente, não faz perguntas. Então é só a velocidade, a música e as conversas e risos de ocasião no carro. Não são as pressões e os problemas. São as músicas, a velocidade e as casas que passam desfocadas. É mau não saberes conduzir, porque em momentos como esse pulavas daqui, desaparecias estrada fora até se acabarem as horas, até veres a quietude das falésias. É mau não teres carta, então entras-lhe pelo carro adentro e usas máscaras. Mas nunca foste tão boa nisso como pensas.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Vias de Comunicação


Sou feito de letras. A correrem num turbilhão, um tornado de caracteres impressos no nada da minha imaginação. Sou feito de palavras, palavras soltas, descomprimidas e suaves que muitas vezes se confundem com pensamentos mal estruturados. Sou feito de frases, frases incompletas, inacabadas, por dizer. Frases desesperadas por saírem e serem declaradas ao mundo. Sou feito de autênticos livros. E o pior que me podia acontecer não era ficar mudo, não. O pior que me podia acontecer era ficar sem mais nada para dizer.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Volta Amanhã


Adorava que sorrisses para sempre. Que o teu sorriso, ou simplesmente cada abraço e mão dada que te desse fosse o suficiente para te encher o coração de mimos. Mas não o é.
Cada dia a teu lado irão ser os melhores que sempre pude esperar. Poderia escrevê-los, imaginá-los, sonhá-los. Nenhum seria tão real como aqueles que vivo ao teu lado. Aqueles em que choras e te acaricio, passando a mão pelo canto do olhos, limpando a lágrima que teima sair num contínuo desassossego. Desculpa se alguns dias eu não posso estar ao teu lado. Apoiar-te, ou a segurar-te nos meus braços, protegendo-te o coração das tristezas ou o teu corpo do frio do dia gelado.
Volta, amanhã cá estarei para te dar um sorriso e um corajoso beijo.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Bater à porta


Mesmo que a vida me atropele de súbito e me faça vacilar, eu vou continuar a lutar por ti e por nós. Não baixarei a guarda, enfrentarei cada rebelião sem qualquer espécie de armadura, apenas com o meu coração, asseguro-te. Mesmo que o passar do tempo sem ti doa. As palavras voam, mas o sentimento fica. Por isso, um dia, quando o amor te deixar o coração, não tenhas medo, eu estarei ao teu lado, para te dar a mão. E se não souberes onde encontrar-me, coloca a mão no peito e ouve-me bater à porta do teu coração.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Campo de Batalha


A lua desceu à terra e deu-me um coração para cuidar. Foi-se tão depressa que nem lhe agradeci. Tinha os bolsos carregados de sorrisos, os lábios pintados de ouro, os braços cobertos de chocolate, os seus olhos continham o brilho daquilo que um dia poderá vir a ser o teu amor.
É uma guerra que dura à meses que me faz desejar-te mais do que alguma vez a vida real me mostra e poderá dar-me.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Lost Path


Por onde ando? Por onde ando eu a caminhar? Sinto-me perdido, exausto. Eu não sei guardar as coisas importantes, estou sempre a perder-me. Perderei também os outros? Começo a sentir que sim. Um mundo enorme. Sozinho? Penso muitas vezes como seria a minha vida se não tivesse dado tantas voltas. Seria feliz ali, onde a água do mar é quente e sabe bem? Teria sido feliz? Quero acreditar que sim. Não o sou. Não hoje, não agora, não há muito tempo. Procuro dentro e fora de mim, sinto-me inútil, não encontro nada de novo. O meu coração de retalhos está vazio, os meus sonhos espalhados pelo chão, caídos. Eu já nem sei onde, não os encontro. Hoje eu não tenho coração, deixei-o em casa. Guardado, numa gaveta, dentro do armário. Esquecido? Talvez, talvez esqueça demasiadas coisas. Não encontro caminhos, já não sei caminhar. Apenas encontro curvas, cruzamentos e becos sem saída. Perdido.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Os Anjos Não Têm Casa


De que serve a casa certa ou o quarto certo se a cama vai estar vazia da tua presença? Não hoje, mas amanhã à noite. Compraste a mala e anunciaste a despedida. Deste-me um lugar para ficar, deste-me um beijo e prometeste não me deixar até amanhã à noite. Dizes-me para aproveitar ao máximo até amanhã à noite.
Então eu abraço-te e choro. Agarro-te a mim, beijo-te os lábios com um carinho triste. Tu pensas que não estou a aproveitar. Mas não consigo fazer mais nada. Perdoa-me se não consigo rir, se não consigo ser feliz. Perdoa-me se não consigo ser a pessoa que precisas até amanhã à noite. E depois, o que importa? Depois vais embora. E eu vou também, para um lugar onde não sinta a tua ausência.