quinta-feira, 30 de junho de 2016

Somando Silêncios


Sem conseguir controlar, despertou-se em mim, uma sensação dolorosa de não querer aceitar o que a realidade, há muito, teimava em mostrar. Abriu-se uma porta que me fez ver que há coisas que, passe o tempo que passar, não vão mudar.
Há um tempo em que um ombro amigo já não chega e precisamos de um braço inteiro. Há um tempo em que as palavras deixam de fazer sentido e a falta de ações ganha uma importância fatal. Há um tempo em que é preciso parar de insistir no que não tem futuro, o mais difícil é saber como fazer. E, há um tempo, em que o silêncio passa a ser a maior defesa. O mais importante fica dito na presença do silêncio.
Cada um aceita o amor que acha que merece.
Como se nesta simples frase, estivessem somados todos os dias da minha vida.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Supermassive Black Hole


As ondas engoliam as rochas, e os pássaros voavam em círculos à procura de peixe. Ocasionalmente mergulhavam para depois voltar à superfície com o que haviam apanhado no bico. As árvores ondulavam ao vento, a primeira brisa da primavera. Eu estendia-me encostado a uma cerejeira acompanhado apenas pelos meus pensamentos.
Até que alguém abriu o ralo e tudo começou a ser arrastado para os céus. Primeiro foram as nuvens, depois os pássaros, que batiam as asas desesperadamente numa tentativa de se salvarem. As folhas cederam logo, e depois troncos foram arrancados e sugados.
E eu deixei-me ir. Seguido de um fio que parecia nunca terminar, e que ninguém agarrou.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Das Coisas Que se Foram


Deixei de acreditar em deus. Toda a gente fala das crianças e dos seus amigos imaginários. Demorei algum tempo a perceber que os adultos também tinham um amigo imaginário, esse muito mais grandioso e magnífico mas na sua essência igual... invisível, inexistente, imaginário.
Deixei de acreditar na esperança, embora já mais tarde. Por muita esperança que houvesse, pessoas vão-se sem nunca ter a oportunidade de dizer adeus.
Deixei de acreditar em sempres. Foram muitas as juras e as promessas. E de repente era como se não tivéssemos crescido juntos, como se não se tivesse passado uma vida. De repente éramos estranhos. Não houve sempre que nos valesse.
Deixei de acreditar no amor também. Não sei o quando, não sei o porquê, não sei se alguma vez acreditei. Acho que duas pessoas podem ser felizes juntas, mas tudo o resto é demasiado fantasioso, demasiado utópico, demasiado mentira.
E mesmo assim sou feliz. Acredito em quê? Em nada. Em tudo. Em mim. Nos outros. Nas pequenas coisas. Nos finais felizes de todos os dias.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Significado de Uma Vida Plena


Não tenho medo de falhar, não posso ter medo de falhar. Apenas preciso de tempo, e esse tenho que chegue. Mas só vou estar disponível no final do ano. só vou dormir quando o que tiver por acabar estiver acabado. No fim poderei descansar, no fim poderei dizer que fui um tolo, um maluco, mas até lá só viverei para respirar. Eu quero cortar a fita da meta, quero rasgar os joelhos no chão quando gritar pela vitória, quero gritar com o fundo dos meus pulmões, as dores e alucinações que tive durante a caminhada que me levou ao fim.
Porque, se para ser melhor tenho de cair mil vezes, que caia duas mil. Saberei que, ao falhar tantas vezes, saberei duas mil maneiras de me voltar a compor, de me voltar a levantar. Porque, no fim, antes de a morte chegar, terá primeiro que bater palmas.