sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Butterflies


Sempre que vejo borboletas lembro-me de ti. Nesse dia de verão perfeito. Quando elas me vinham pousar na mão junto à água. E lembro-me talvez por tentares cuidar de mim como uma delas, talvez por tentares pegar num pincel e todos os dias retocares as cores das minhas asas. Eu não sei muito bem tratar de mim. Só tu vais buscar inspiração a estes animais tão pequenos, que vêm até mim e dançam. Não sei o que significa, talvez o teu pensamento. Talvez elas me apareçam para me lembrar que também devo tentar cuidar de ti, mas ao mesmo tempo sermos livres para voar.
As pessoas tratam de nós, como gostavam de ser tratadas. Talvez o problema seja que não podem ficar para sempre. Mas, enquanto ficam, fazem o coração encontrar sempre novas cores.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

A Última Carta


"Vai ser a última carta que escrevo." É este o meu pensamento todas as noites, mas as palavras não têm fim, as forças parecem renovar-se e o meu coração reage. Fui parar àquele hospital das memórias e o meu coração deixou de bater, deixou de sonhar, deixou de respirar nesse dia. O meu desejo é ir, nessa estrela onde agora moras. É estranho como me conseguiram reanimar, e como eu desesperei com tal cura. Eu já não tenho cura e as pessoas teimam em tentar curar-me. Não entendem que quando o coração vai embora, o espaço que ele ocupava não deixa de existir, fica ali, um vazio enorme, um buraco no peito que já não palpita. A alma fica a morar sozinha, sem vizinhos, sem conversas paralelas, sem direção. E o que farei ei? Ficarei aqui, sem coração, se sentir, sem respirar. O meu coração deixou de bater nesse dia. Os médicos dizem que ainda o tenho, mas eles não sabem o que sinto, nem eu lhes quero descrever. Talvez esteja na hora de eles me apagarem as luzes. Mas teimam em deixar-me vivo, mas eu estou vazio, vazio por dentro. Escrevo sem destino. Escrevo e penduro nos candeeiros das ruas vagas. Vai ser a última carta que escrevo, hoje.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Second Round


Não é preciso fazer um grande drama à volta da questão. Não sou um rapaz inocente, definitivamente. Por vezes tenho vontade de te devorar de uma vez. Noutras ocasiões apetece-me saborear cada pedaço do teu corpo e, especialmente, da tua alma. Mas ainda se trata de um começo. É necessário mais um pouco de tempo para se gostar verdadeiramente. Por agora deixa-me admirar aquilo que és. Vou cruzar os dedos para não voltar a quebrar o coração.