quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Distâncias Proíbidas


Não sei contar as despedidas. Sei-as sentir. Sinto-as demais às tantas. Sinto-as até o coração me escorre na cara, e a dor que me sai dos olhos se torna algo insuportável. Sinto-as a mais. Dizem que é normal senti-las assim. Não. Larguem-me os olhos, o coração e as mãos apertadas. Larguem-me o nó na garganta. Pois então, digo eu, que acabem com as distâncias, que as deixem contar e proíbam de sentir.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Metamorfose


Nunca escrevi algo que não fosse real. Nunca consegui incorporar personagens que não me tivessem já passado na pele. Mas ontem à noite, pela primeira vez, consegui viver algo que não vivi. Consegui ser quem nunca tinha sido, e, ao escrever, vivi e senti personagens fictícias, que eu próprio criei. Ontem, ao contrário de sempre, escrevi uma história que ainda não foi ditada. E, para meu espanto, integrei-me nela. Senti-a como se fosse a minha. É a isto que chamo evoluir.

domingo, 11 de dezembro de 2016

A Profundeza do Ser


Não me contes segredos alheios. Quero saber os teus. Quero conhecer-te as manhas e os feitios. Quero conhecer-te os contornos por dentro. Quero ver com os teus olhos, essa vida que levas, para que a entenda.
Quero que me vejas como eu me vejo, para que entendas o sentido de tudo em mim. Quero porque querer sempre me bastou e nunca me impediu.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Improviso


Caminho sozinho pelos passeios da cidade. Auscultadores nos ouvidos, privando-me dos sons que o mundo emite. Fecho-me dentro da minha concha, protegido por uma bolha de algodão. Procuro com o olhar gente que me seja boa ao primeiro trocar de piscar de olhos. Tento encontrar neste ambiente que crio dentro e fora de mim, um sentimento, um pensamento ou o despertar de um belo sonho que até hoje não tive, para que tenha uma epifania e possa escrever as mais belas coisas que já li de mim. Não sai magia, por isso, improviso.