domingo, 24 de julho de 2016

Vírgulas e Pontos


Apenas os fins são certos. E, no entanto, não há nada de instável ou vasto em mim. Nem tão pouco derramado. Só há eu. Tanto eu quanto seja possível. Muito mais eu do que alguma vez pensei ser possível. Eu, feliz.
E fui. E sou. Sem querer saber os meus ontens. É difícil crescer. Morreram esperanças e devaneios de infância, sonhos ingénuos e sem futuro. E mesmo sabendo que tudo tem um prazo de validade, há coisas que acabam por ficar entranhadas cá dentro, talvez até para sempre. Ainda assim, sei que um dia terei de refazer as malas, forçar as antigas memórias e os novos sonhos dentro delas. Direi adeus, e despedir-me-ei com um beijo. De bom dia, boa noite, bom fim. Bom recomeço. Um dia terei de dizer.
Eu, feliz.

sábado, 16 de julho de 2016

Take It or Leave It


Silêncio, é do silêncio do mundo que eu preciso, é do silêncio da vida que preciso, que quero sentir. Estou cansado de viver a correr, preciso de uma pausa, preciso de tirar as preocupações da cabeça, de deixar a mão à vida, deixar de lhe dar colo, fazer com que comece a andar por ela própria, pois fiquei cansado de ter de lhe dar apoio. Preciso de viver, preciso de sentir e com ela como fardo não conseguirei andar para a frente.
Não sei o que faço. Se continuo com ela ao colo e faço a minha vida, ou se a largo e me faço ao caminho.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Cientista da Alma


Uma data basta para evocar uma época. Uma flor basta para simbolizar uma estação do ano. Quantos preceitos e axiomas dogmáticos são necessários para exprimir o amor?
Sob o nome genérico de amor, quantas variedades do instinto? Quantas explosões de temperamento? Quantas satisfações de vaidade?
Existem mil formas de o exprimir, mil formas de o sentir. O amor não é apenas um impulso do instinto, é uma ciência da alma, a mais divina e a mais rara. É como se o amor fosse uma iniciação lenta, pela qual a alma se eleva à contemplação do mais puro infinito.