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É no final da vida que a idade nos vem mostrar o que já fomos. Olhamo-nos ao espelho e vemos o rosto com rugas, a pele com cicatrizes. As mãos ganham os calos da vida, e a vida morre com a saudade que nos fez sofrer. Calamo-nos, ficamo-nos pelo silêncio, a olhar pela janela, sentados numa cadeira de madeira. Montras. É no que nos transformamos no fim da nossa vida. Montras de vidas, montras de memórias, de risos e lágrimas. Com o orgulho do lado de dentro e a saudade do lado de fora.
O barco em que navego pela vida que me resta, está muitas vezes, longe do meu porto de abrigo.

