quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Confessions


Uma carta. Já não sei há quanto tempo não escrevo uma carta. Só o faço quando sinto o coração pesado, sabes? Aprendi há muito tempo que as pessoas nem sempre têm disposição ou o tempo necessários para ouvir. E portanto aprendi a ouvir-me. Já há bastante tempo que construí uma versão de mim que não precisa de ninguém, que aguenta e sobrevive a tudo e que não tem medo de nada. Uma versão melhorada e à prova de fogo, impossível de magoar.
Há coisas que me são difíceis de admitir... Às vezes é ridículo quão simples e boas as coisas podem ser se tivermos um pouco de coragem. Coragem para arriscar, para admitir o que era quase lógico, óbvio. E que eu se calhar não queria ver. Que se calhar não devia ter visto.
Esta seria uma carta para ti, Mas, infelizmente, as circunstâncias são mais uma vez traiçoeiras e o timing nunca é certo. Assim, acho que esta vai ser mais uma carta de mim para mim. Com amor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Última Paragem


A última carruagem tardou em chegar. Decidi mais uma vez esperar até ao último instante para apanhá-la, a coragem sempre me faltou para me despedir. Mas, consegui. E é após este tempo mantido em silêncio, que debito um pouco sobre aquilo que senti. É inevitável não doer quando existem despedidas. Mas a vida é mesmo assim, repleta de chegadas e partidas. Quem tem mesmo que ficar, fica.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Insónias


Os ponteiros do relógio de parede marcam três horas da manhã. Ao ritmo dos ponteiros metálicos, ouvem-se três badaladas desesperadas e sonantes. Cada dia que passa, sem pedir licença, a rotina repete-se. Os pensamentos em constante revolução, com um conjunto de trapos como maior companhia. Uma tempestade de impulsos. Todas as utopias quebradas são como fantasmas a atormentar. No fundo, umas simples palavras bastariam: "Se o mundo do amor é redondo, havemos de nos voltar a encontrar." Quem as poderia adivinhar?
E, nesse momento, adormeceria. Tranquilamente.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Duro Despertar


Tive um presságio do infinito. Se o tempo me escapasse por entre as arestas polidas da minha memória, que diferença faria afinal?
Sentei-me e escrevi.
Mas onde e quando? Qual seria o tempo e a época de colher os frutos e talvez das flores da minha ambiguidade?
Temo por mim, por não ter razão em nada e por precisar de tudo. Por me agarrar a uma esperança e nela crer a minha salvação.
Pergunto-me quando iremos acordar e quando iremos de facto viver. Quando deixaremos de lado o nosso ego para nos entregarmos à realidade de estarmos vivos e de não sermos escravos de nada senão da nossa consciência. Podíamos ser tanto e deixámo-nos ser nada. E porquê? Convenceram-nos a isto. Que somos pó de estrelas que se convencem diariamente que a vida não serve de nada e que o estar vivo pode ficar para depois.
Mas existe. Tudo existe.
Tenho medo. E tenho amor. E de resto sou apenas terminações nervosas condenadas e extasiadas pela certeza plena da sua liberdade.
Nascemos para sermos felizes.