Tive um presságio do infinito. Se o tempo me escapasse por entre as arestas polidas da minha memória, que diferença faria afinal?
Sentei-me e escrevi.
Mas onde e quando? Qual seria o tempo e a época de colher os frutos e talvez das flores da minha ambiguidade?
Temo por mim, por não ter razão em nada e por precisar de tudo. Por me agarrar a uma esperança e nela crer a minha salvação.
Pergunto-me quando iremos acordar e quando iremos de facto viver. Quando deixaremos de lado o nosso ego para nos entregarmos à realidade de estarmos vivos e de não sermos escravos de nada senão da nossa consciência. Podíamos ser tanto e deixámo-nos ser nada. E porquê? Convenceram-nos a isto. Que somos pó de estrelas que se convencem diariamente que a vida não serve de nada e que o estar vivo pode ficar para depois.
Mas existe. Tudo existe.
Tenho medo. E tenho amor. E de resto sou apenas terminações nervosas condenadas e extasiadas pela certeza plena da sua liberdade.
Nascemos para sermos felizes.