sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O Tempo nas Minhas Mãos


O tempo, esse algo extremamente irritante que passa por nós a correr, com o seu sorriso traiçoeiro. Não me quero obrigar a ter que me habituar a que este passe por mim sempre a correr. Não o quero controlar, não quero. Só gostaria que ele ficasse mais um bocado de tempo nas minhas mãos. Corro por entre ele, tentando perceber o que o faz ser assim tão rápido. Tento-o agarrar com todas as minhas forças. Só que, ainda não consigo. Fico com feridas nas mãos. Faz-me percorrer grandes distâncias sem nunca deixar que desista a meio. No que me tornei, foi graças ao tempo passar a correr por mim, tocando-me no ombro e sussurrando ao meu ouvido: " Não julgues que espero por ti. Não penses que te vou dar as respostas todas, a todos os instantes da tua vida. São apenas minutos no meu relógio de pulso. "

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O Amor que se Vê


E eu aqui, quando te tento mostrar o amor que me vai crescendo no peito por gostar de estar contigo, por gostar tanto de te ter ao meu lado, a fazer-me sorrir. Gosto de ti verdadeiramente. Não brinco com os sentimentos, nem faço brincadeiras com eles. Gosto porque dizes que gostas quando sorrio, e isso faz-me sentir com valor, como quando me dás a mão, ou me dás aqueles mimos quando estou contigo. Não te quero mentir, e não o faço. Gosto de te ter nos meus braços, de sentir a tua mão na minha, olhar-te nos olhos e pensar que o amor me está presente. Não preciso de dizer palavras mágicas. É certo que gostava de ter mais do teu tempo, para estar contigo. Mas não tenho.
É por ti que grito sozinho à noite com a almofada a afagar os meus pesadelos. É em ti que deposito todo o meu amor. É sobre os teus lábios que quero deixar os meus carinhos mais profundos serem depositados. O essencial, para mim, não são as palavras bonitas que se dizem. São sim, aqueles gestos que se veem com os olhos.

sábado, 3 de outubro de 2026

Os Herdeiros das Ruínas


Somos novos, talvez ainda demasiado novos para ver todas as pessoas que mandam no mundo, virá-lo contra os que nascem agora. Vejo-o eu, o mundo nunca nos teve tão nas mãos como agora. Nunca nós quisemos cuidar de um mundo que vocês destruíram com a vossa doença.
Vemos o amor, vemos o ódio, vemos o mundo que poderíamos construir. Vemos-lhe a vida, e está velho o céu no seu todo. Podíamos dar tanto para que as crianças de hoje possam um dia voar. Mas só vemos pessoas irem para a rua gritarem os seus nomes, agitarem as bandeiras do ódio. O mesmo ódio com que nos tentam encher os corações, ou diria eu, as nossas almas. Assistimos, sem poder fazer grande coisa, a todas as mentiras que nos mostram, que nos dão para viver, diante dos nossos olhos. Promessas de futuro melhor, vidas sem problemas, estudos, empregos garantidos. Mas só vemos pessoas pensarem neles próprios e em encherem os seus bolsos de dinheiro às nossas custas. Nunca nos facilitam nada porque pensam que deveríamos viver como vocês viveram à anos atrás. Ouvimos a mentira, a indiferença com que nos falam, com palavras que foram feitas para magoar.
Ficamos doentes. Doentes, porque nunca quisemos isto. O futuro está a ser feito para crianças sem razão para viver. Sem nada, com tudo a fugir pelas mãos. Que querem apenas um futuro melhor. O seu futuro. E, um dia, quando vocês, que nos fizeram isto, se forem embora, iremos pegar no que aprendemos e, aos nossos filhos iremos tentar dar as ferramentas e os brinquedos que não nos quiseram dar a nós.
Porque eles não vão engolir sapos, não vão olhar aos vossos falsos sorrisos, não vão deixar que lhes tirem as medalhas do peito. E acredito que vão lutar, lutar contra os adultos que levam os sorrisos. Que dizem que os sonhos eram apenas pesadelos. Alguns vão mudar o mundo. O seu mundo. Porque são crianças sem razão para viver.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Debaixo da Brisa


O som da natureza, é o que mais me acalma neste momento. O vento que faz cócegas nas folhas das árvores tornam o ambiente sonoro mais agradável. Está calor, mas bate-me a sombra na cara e gosto do conforto que me traz. O dia está calmo. Não habita ninguém nas redondezas a esta hora. Penso em ti. No teu sorriso de menina tímida. Recordo-me dos teus cabelos, do brilho dos teus olhos. Apetece-me muito ter-te aqui comigo, debaixo desta brisa fresca, sentir as tuas mãos na minha cara, ou apenas sobre o meu corpo. Tenho vontade de saborear os milhares de sabores que manténs em segredo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A Pedra que Escolhes Carregar


Vende o caminho que não queres pisar. Vende o caminho que não queres ver ser erguido diante de ti. Vende o caminho que te vai dar a um passado de tormento, ou a um presente estranho que não te faz satisfeito. Vende o caminho que não mostra o sonho que tiveste ontem à noite ser possível ou igual ao que tanto querias.
O caminho pode ter todas as cores que tu imaginares mas não será da mesma cor que adoras. Quem construiu o caminho atrás de ti, não o soube pintar da tua cor favorita, e, enquanto tiveres os olhos postos no passado, continuarás a pintar o caminho com as mesmas cores com que sempre to pintaram.

Se pudesses, manter uma pedra contigo para sempre, qual seria?

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Língua das Estrelas


Qualquer bom rapaz morreria por uma rapariga como tu. Qualquer rapaz morreria por um pedaço de ti. Um agarrar de mãos. Um pedaço de um beijo partilhado num canto escuro, no meio da noite. Uma alegria debaixo do céu azul carregado de nuvens.

Se eu, um dia, te pegar pela mão, esboçar um pequeno e tímido sorriso, à medida que te vou tentando olhar nos olhos, vais-te afastar? Puxas-me pela mão até ao meio da tua vida? Se eu te der a lua, sorris para sempre ao meu lado?

Não fujas dos meus braços quando te tiver no meio deles. Quero sorrir contigo. Suspirar de emoções enquanto o sol nasce e dorme. Ver os teus olhos brilharem quando a lua aparecer todas as noites na tua janela.

Vamos fazer o sol ter um motivo para brilhar e a lua para ser escura à noite. Dar mimos às estrelas e carinhos na boca dos mares. Aprender a língua das estrelas, para te ensinar a ti a falar como elas.

Para que me guies... para que, cada vez que ouvir a tua voz, me enfeitices por dentro.

Terei que saber que és tu quem eu mais vejo sorrir ao meu lado.

domingo, 23 de agosto de 2026

Murros na Terra


Damos murros na terra. Perguntamos porque damos tanto de nós, e mostramos quem somos, e as pessoas afastam-se logo, quando algo não lhes agrada? E quando as coisas não nos saem da boca, com a mesma facilidade que lhes saem a eles, tudo se perde. Tudo faz confusão. Mistura-se o silêncio com os nadas e ficamos sem saber o que pensar.
Porque damos nós tanto do que somos? Porque continuamos nós a escrever para quem não quer usar? Não somos objetos. No que nos tornámos só nós sabemos. E se não somos o que gostam, pelo menos que não nos digam que sim para nos mostrar que não. Não somos Romeus, nem tão pouco Aladinos. As palavras que dizemos, são as mais sinceras possíveis que encontramos para serem ditas. Apetrechadas de simplicidade para que nunca haja erros ou equívocos.
Gostávamos de poder contar convosco. Sem ter medo de que o nosso coração seja tão apertado que deixe de ser vermelho, e passe a ser negro, por lhe faltar o sangue. De que têm vocês tanto medo?