sexta-feira, 28 de julho de 2023

Avenidas Sem Vidas


A vida é um barco vazio. Um barco vazio que deriva no mar, sem passageiro, sem comandante, sem água que se mova, sem nuvem que chova. A vida é assim, um telefone, uma televisão, um auricular. A vida é um sofá, uma cadeira, um comando na mão. A vida já não são pessoas, não são beijos nem apertos de mão.
Antigamente a avenida enchia-se de pessoas, pessoas que gostavam do sabor do chafariz que se incendiava em água, agora não. Agora a avenida enche-se das folhas que caem no outono. A vida não parou, mas adormeceu.
Há quem durma nas ruas, há espera de que alguém venha por eles, há quem toque e se pinte, há quem entretenha e brinque. E o que nos salva são algumas das crianças que ainda correm apressadas, com sorrisos e abraços, com a magia que há muito não vemos. O tempo anda incerto e a vida anda incerta com ele.
Com os anos, a vida não envelheceu, cada vez foi mais sujeita a plásticas, a mudanças, muitas vezes drásticas. Resta-me um cálice de esperança, com que saúdo o amanhecer e o anoitecer com que vivo, cheio de contrastes, entre um tudo, um nada, e uma vida, que tento não deixar fora nas portas, mas a voar, pelas ruas ainda vazias cheias de vida.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Os Comboios São os Sítios que Tudo Podem


As nuvens estão deliciosas neste final de tarde, como algodão doce, mas um pouco mais delicado, os comboios em andamento dão-me as palavras que não conhecia, para lá da paz de espírito tão rara em mim. Queria tanto ver-te. Agora. Nesta carruagem vazia. Não me interessa para o que vou, muito menos onde fico. Faço planos impossíveis, porque os comboios afinal podem tudo. As pessoas deviam ter tanta maturidade para acabar, como têm para começar uma partida. Se tivesse de acontecer, seria agora.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Quatro


É o teu carinho que te torna tão especial. O teu deslumbrante sorriso. Os teus olhos que me fazem água na boca. Todo o tempo que tenho para estar contigo, é a ver-te o sorriso. A olhar para ti e chorar com um orgulho no meu órgão de uma viva cor avermelhada.
Estou a perder o jeito filha. A perder o jeito de te amar de várias formas. De te escrever estas cartas com o amor que tenho no peito. Estou a tentar, mas nada sai como deveria.