Antigamente a avenida enchia-se de pessoas, pessoas que gostavam do sabor do chafariz que se incendiava em água, agora não. Agora a avenida enche-se das folhas que caem no outono. A vida não parou, mas adormeceu.
Há quem durma nas ruas, há espera de que alguém venha por eles, há quem toque e se pinte, há quem entretenha e brinque. E o que nos salva são algumas das crianças que ainda correm apressadas, com sorrisos e abraços, com a magia que há muito não vemos. O tempo anda incerto e a vida anda incerta com ele.
Com os anos, a vida não envelheceu, cada vez foi mais sujeita a plásticas, a mudanças, muitas vezes drásticas. Resta-me um cálice de esperança, com que saúdo o amanhecer e o anoitecer com que vivo, cheio de contrastes, entre um tudo, um nada, e uma vida, que tento não deixar fora nas portas, mas a voar, pelas ruas ainda vazias cheias de vida.