quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

As coisas que nos partem o coração


Uma parede partiu-me o coração. Um campo de relva molhada partiu-me o coração. Uma criança a abraçar as pernas dos pais no aeroporto partiu-me o coração. Água numa banheira partiu-me o coração. Uma tatuagem partiu-me o coração. Uma fotografia na internet partiu-me o coração. Um relógio partiu-me o coração. Suster a respiração debaixo de água partiu-me o coração.
Todos temos fracturas únicas ao longo do nosso coração. Tu tens as tuas. Eu tenho as minhas. E talvez não haja nada, em lado algum, que não parta o coração de alguém.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A tensão entre o ser que somos


Queremos ser tantas coisas... Sempre pensei que um dia iríamos assentar e estarmos bem a ser quem somos. Mas que tipo de monstro seríamos, se pedíssemos a alguém para ser menos? Talvez o querermos ser muitas coisas, seja quem que somos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O lugar onde paramos


Eu sei porque vi as tuas pegadas. A estrada às vezes torna-se escura e esquecemo-nos de como era a luz.
Eu sei que é fácil esquecer de que é apenas o final do dia, não o final de nós.
Mas se me deixares caminhar contigo, eu dir-te-ei que não importa o tempo que demoramos a caminhar, mas sim que caminhemos bem.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O que te vai matar vai ser o medo


Nunca sair de casa, vai-te matar. Ficar onde estás e ter medo, vai-te matar. Clicar constantemente nos ícones de novas notificações nas redes sociais, vagueando por elas como uma série de portas de frigoríficos que podem conter algo melhor do que o que tinham da última vez que olhaste, isto é o que te vai matar segundo após segundo até te aperceberes que não terás muitos mais. É mais provável que venhas a morrer de medo e de apatia, de não ter vivido e concretizado a multitude de promessas que fazes a ti mesmo todas as noites antes de adormeceres, do que de outra coisa. Vamos viver sem medo!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O mapa das imperfeições


Eu sou um registo de todas as coisas com que nasci. Estas cicatrizes são a minha documentação dos erros que fiz ao tentar ultrapassar os obstáculos. Eu sou feito das coisas que fiz e das coisas que me fizeram. Ao longo desta pele, encontrarão uma história de mim.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

As formas que tenho, encaixam


Eu construí-me. Não vão encontrar tijolos emprestados em mim. E mesmo que o mundo deite abaixo partes de mim, sou eu quem decido como me reconstruir. Eu construí-me. Todos os dias, eu construo-me.

sábado, 23 de agosto de 2014

A gaiola prende um raro sol azul


Se os encontrares, diz tudo o que disseste e ouviste antes de os encontrares.
Diz-lhes que regras inventaste para ti ao longo do caminho.
Explica como nunca pudeste fazer certas coisas.
Diz-lhes o quão feliz estás agora, que sabes que graças ao amor podes fazer tudo, vencer tudo.
Conta qual foi a primeira coisa que te fez sorrir, e a última que te fez chorar.
Conta tudo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O mundo não é tão escuro como parece


Se alguma vez acordares, e pensares que ninguém precisa de ti, eu preciso de ti.
Se alguma vez acordares, e pensares que não há amor, eu amar-te-ei sempre.
Se alguma vez acordares, e não conseguires encontrar o teu propósito, eu seguro uma vela e ajudo-te a procurar.
Se alguma vez acordares, e não souberes quem e o que és, eu posso dizer-te.
Se alguma vez acordares, e não souberes porque te preocupas, eu lembro-te.
Lembra-te de mim, e deixa-me dar-te as razões.

domingo, 17 de agosto de 2014

As desculpas


Estive de férias. Obrigado pela paciência.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

As fotografias estranhas


Já fiz de conta que estava chateado de forma a poder dizer as coisas que precisava. Eu chamo-lhe arte. Porque arte é a palavra que damos quando tornamos o que sentimos público. E a arte não preocupa ninguém. ARTE. amAR-TE.

domingo, 20 de julho de 2014

A cidade que dorme onde eles caíram


Eu sei que moves os teus dedos enquanto dormes porque já os senti mexer. E sei que provavlemente faço o mesmo. E pergunto-me quantas vezes, inconscientemente, nos nossos sonhos ou pesadelos, nós tentamos alcançar a mão um do outro sem saber.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O mundo também gosta de ti


A relação que tens com o mundo é como outra relação qualquer. De vez em quando, mesmo que ele te tenha chateado sem razão aparente, tens que o olhar nos olhos e dizer:

Gosto de ti.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

As folhas e as cinzas


Costumava pensar que quando ficávamos mais velhos, invejávamos os mais novos. Mas agora vejo que apenas nos invejamos a nós próprios e a quem um dia fomos. Apenas olhamos para os novos e pensamos como sobrevivemos àquilo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Os miseráveis e mendigos


Se a vida conduzisse um carro topo de gama, podem apostar que eu estaria a bater à janela do carro quando parasse nos semáforos vermelhos a dizer: "Senhora vida, alguém tem que lhe tirar o peso dos bolsos. Porque não posso ser eu?"

terça-feira, 8 de julho de 2014

As coisas que posso fazer


Em algum ponto do Inverno, conta-se uma mentira. Dizemos que não somos tão bons como outrora fomos. E apesar de sabermos que isso é mentira, é difícil não acreditar-mos em nós próprios quando a única coisa em que nos tornamos melhores, é a dizer o tempo que passou entre o antes e o agora. Errado. Estou melhor agora!

sábado, 5 de julho de 2014

As coisas que hoje importam


Somos tão novos quando nascemos, quando nos ensinam que nada importa.
E isso será a primeira coisa que as pessoas vão levar de nós, porque o que é que magoa mais do que o que importa?
É preciso haver mágoa para perceber se somos feitos de algo mais que carne e osso, se somos feitos de algo que importe.
E o falhanço passa a ser irrelevante quando o vemos como algo que não importa.
E tudo é irrelevante quando não importa.
E a essência da vida é um dia encontrar algo que realmente importe.
Encontrei-te.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A verdade


Não haverão problemas incompatíveis nem decisões impossíveis. Não haverão prisões ou tribunais ou manuais ou propriedades ou formulários e faxes, porque tu vais confiar em mim e eu vou confiar em ti.

domingo, 29 de junho de 2014

O regresso ao verde


Oh, cala-te. Sempre que chove, pára de chover. Sempre que te magoas, curas. Depois da escuridão, há sempre luz e és relembrada disto todas as manhãs, mas ainda assim preferes acreditar que a noite vai durar para sempre. Nada dura para sempre. Nem o bom nem o mau. Apenas nós! Por isso mais vale sorrires enquanto cá estamos.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O sonho dentro do sonho


Tive um sonho contigo ontem à noite. Depois acordei e liguei-te para te dizer como me sentia. Depois acordei outra vez e percebi que era um sonho dentro de um sonho. Devia ter continuado a dormir. A sonhar. Contigo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A série


Há momentos de pura e sublime perfeição sem paralelo, que te irão obrigar a fechar os olhos e a agarrá-los o melhor que consigas.
A vida é uma série desses momentos. Tudo o resto, está apenas à espera deles.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Reconhecimento


E eu sinto os teus olhos nestas palavras enquanto escrevo cada uma delas. E eu sei que as lês. E são as pontas dos teus dedos que carregam em cada tecla. E é a tua mão que está no rato. E são as tuas costas que estão encostadas na cadeira. E eu só quero que saibas, que eu sei.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O resumo


Vi o teu rosto uma noite e não fazia ideia de quem eras, mas havia algo nos teus olhos que me deu o click. Continuei a procurar-te até que me foi possível, ainda que timidamente, conhecer-te. Gostaria de me meter no carro e mudar-me para o teu lado. Eu sei que soa assustador, mas tu merecias alguém especial na tua vida, mais do que ninguém. Tal como eu.

sábado, 14 de junho de 2014

As prioridades


Não interessa o quanto gastaste. Não interessa quantas pessoas trabalharam para ti. Não interessa quão longe viajaste. Não interessa que tipo de carro conduziste. Não interessa a quantidade de pessoas que sabiam o teu nome. Interessa o quanto foste capaz de amar.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O barulho pode ser bom


O carro a chegar na estrada (reconhece-se o som desse motor em qualquer lado).
Talvez devesses estar a limpar quando eu entro, a mexer nas coisas.
Ou tentar parecer relaxada, a ver TV, a ler um livro.
Ouves os passos a chegar à porta, as chaves a tilintar.
E em vez de estares a fazer qualquer coisa, estás à minha espera de braços abertos.

domingo, 8 de junho de 2014

A ansiedade existente no ar


Se tens que saber, isto é do que tenho medo. Tenho medo que todos sejam mais eles do que aquilo que eu sou eu. Que toda a gente olha para as coisas que sente e diz "é claro que é assim que me sinto". E que acho que aquilo que sinto está à deriva num barco que a mais ligeira das brisas pode fazer virar. Portanto, devo ter medo do vento.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Parar o tempo


O azul brilhou através de ti como uma luz quente. Conseguia sentir o que sentias. Derramavas os teus olhos nos meus. Banhados pela luz. Fui na tua direcção e tornámo-nos parte da luz. Parte do brilho. Pintamos uma vida.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os Gémeos


Gosto de pensar que algures por aí, num planeta exactamente como o nosso, duas pessoas exactamente como tu e eu, que fizeram escolhas totalmente diferente das nossas, de alguma forma, continuam juntos.
Tal como nós. Isso é suficiente para mim.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O fogo nas ruas


Entre o fogo e tu e a tua pele, não há espaço para a escuridão.
E as rochas que sobreviveram ao calor à minha volta apenas me puxaram para cima.
O amor quente que me corre dentro do meu coração como lava, de forma a lembrar-me do como por vezes é bom sentir que se está a nadar dentro de um vulcão.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O mesmo rio


As pessoas mudam tão devagar, que nem se consegue saber que mudaram.
E toda a gente gosta de fazer de conta que tudo está na mesma e no entanto olham-nos como se pudéssemos trazer algo de volta que era suposto estar aqui.
Mas casa é um tempo. Não apenas um lugar.

sábado, 24 de maio de 2014

O Momento em que Quase Morreste


Enquanto caías, suplicaste ao ar por um pouco mais de tempo, por uma segunda oportunidade para fazer todas as coisas que deverias ter feito.
Então aqui está:
Não te irás lembrar de nada do que aconteceu.
Irás sentir-te exactamente da mesma forma.
Irás encontrar-te de volta à frente do computador, a ler o mesmo texto no mesmo blogue que desencadeou tudo há anos atrás.
Apenas as palavras nesse texto terão mudado.
E isto será um pouco mais de tempo.
E isto será a segunda oportunidade.
E começa: agora.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As palavras que direi para que nos reconheçamos noutras vidas


Não me interpretes mal. Eu estou feliz. Mais feliz do que alguma vez estive. Se detectares alguma tristeza, é apenas porque eu encontrei-te nesta vida mas não tenho a certeza que te tenha encontrado em vidas anteriores e estou preocupado com o facto de não te encontrar nas vidas futuras.
E se houver uma série de "eus" tristes a recuar e avançar no tempo que não te tenham ou não te venham a encontrar?
E se este for o único ponto de luz ao longo de uma linha infinita?
Portanto desculpa se há um pouco de tristeza. Apenas estou a sentir pena de mim próprio. Tenho-te nesta vida e queria ter-te tido e ter-te nas restantes.

domingo, 18 de maio de 2014

O relembras das coisas que dizemos


Tenta lembrar-te do que disseste que farias e porque disseste que o farias.
Esquece o que pensas que as outras pessoas querem sobre as coisas que disseste que farias por ser.
A coisa que disseste que farias deveria ser unicamente o que que disseste que farias por ser.
Se a coisa que disseste que farias faz outras pessoas felizes, isso é óptimo mas não digas ou faças coisas apenas para os fazeres felizes.
Encontra novas formas de fazer as coisas que disseste que farias sem que isso mude o significado do que disseste.
Tem a mais pura das intenções pelo que disseste e faz-lo com bravura..
Se a coisa que disseste que farias se tornar um sucesso, continua a agir e a pensar como se não fosse bem sucedida, de outra forma gastarás o teu tempo a preocupares-te que se pode tornar mal sucedida.
Se o que disseste envolve pessoas, ouve-as quando elas dizem o que acham que deves fazer.
Faz o bem com as coisas que disseste que farias. Liga-te a elas e faz-las com amor.
Tentando lembrar-te do que disseste que farias e a razão pela qual disseste que farias.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O Gato


O Cego Tareco era um gato. E cego. Ele persegue ratos que não estão lá e espera em frente a uma porta que não sabe que é uma porta. Quando ele fecha os olhos o mundo não muda. Permanece igual. Mas o Tareco ronrona. Podíamos tirar uma página do livro do Tareco.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As estrelas parecem gotas de tinta branca


Eu sei que podes pensar que estás apenas aí sentada, a ver um website aleatório, a ler algumas palavras estúpidas, e talvez o mundo te tenha dito quem és durante tanto tempo que tenhas começado a acreditar-te nisso. Mas, por favor, lembra-te que és muito mais do que isso. Lembra-te de quem realmente és.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O futuro é feito de pedras


Não te zangues e faz arte muitas vezes.
Porque aqueles que não vão fazer arte, vão fazer guerra.
E aqueles que não fazem guerra, vão ficar para fazer arte com o que sobrou.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O festival de cores


Tu vives em tons de vermelho, azul, verde, branco, prateado, esquecendo-te de qual cor é a tua.
São todas tuas.
Não te estás a perder.
Estás a encontrar-te nos outros.

sábado, 3 de maio de 2014

A música


Enquanto posso não estar habilitado a tocar um instrumento com qualquer qualidade real, isso não terá qualquer importância quando daqui a uns anos conseguirmos canalizar batidas directamente do nosso cérebro para um sintetizador. Preparem-se para o Top 10.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O mapa das sombras


Às vezes apetece-me perguntar a completos estranhos que nunca me conheceram ou tiveram qualquer interacção comigo, que nada fizeram para influenciar a minha experiência do mundo de nenhuma forma, porque razão me odeiam tanto.
E noutros dias, eu sei que eles nem me conhecem. E talvez eles estivessem bem comigo, se conhecessem.

domingo, 27 de abril de 2014

A protecção de vidro


Ás vezes penso o que pensas de mim.
Depois lembro-me que muito provavelmente estarás a pensar o que eu penso de ti.
O que me faz pensar se alguma vez, algum de nós pensa em nós mesmos.
Ou se não pensamos em mais nada.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Objecção senhor juíz


No meio do monólogo brilhante que o teu advogado de defesa está a dar sobre as coisas que fizeste e as pessoas que gostam de ti, a acusação entrega-te uma nota que diz "Nunca te esqueças, toda a gente te odeia".
Tu juntas mais essa à pilha de notas que já te tinham dado, as quais diziam:
"Nunca ninguém te vai entender da forma que tu queres que te entendam."
"Tudo o que alguma fizeste foi horrível."
"Vai ver todos os teus músicos preferidos suicidarem-se."
"Quem algum dia disse que gostou de ti, fê-lo por pena."
Todas estas notas, que a acusação irá entregar mais tarde como Prova B no teu caso, para te acusar de seres patético e triste e inútil e tudo o resto.
E no entanto o teu advogado de defesa continua. E tu sabes que às vezes, ele está a lutar pela tua vida.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

As cores do sono roubado


Agora estou acordado e tu estás aqui, ao meu lado.
Agora estou a sonhar e tu estás aqui, presente.
Agora não tenho nada a não ser dias.
Nunca noites.
Estás sempre comigo.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A breve trégua


Se tudo o que fazes é tornar algo bonito para outra pessoa, mesmo que seja por apenas um momento, com apenas uma palavra ou um pequeno gesto, fizeste um grande serviço.
Porque a vida pode ser feia e frustrante, e para muitos, é.

terça-feira, 15 de abril de 2014

O amigo passageiro no comboio


Apesar de ainda agora o ter conhecido, acredito que seremos amigos.
Primeiro, eu vou dizer algo sobre mim, depois poderás dizer-me algo sobre ti, pois acredito ser assim que a amizade funcione.
Eis algo em que acredito: Acredito que as pessoas não sabem como as pessoas funcionam e talvez seja por isso que não sejam cuidadosas umas com as outras.
Acho que as pessoas pensam que as pessoas vão e vêm, entram e saem e penso que as escolas lhes ensinam isso, que a vida muda em movimentos anuais, que um ano são isto e que no outro são aquilo. Mas a vida muda-se para si própria à medida que envelheces e que vais percebendo, que vais ver alguns, se não muitos, dos teus amigos envelhecerem.
Vais vê-los perder a lucidez e a consciência. Vais vê-los adoecer e melhorar. Vais vê-los a ter sucesso e a fracassar. Vais vê-los casar, divorciar, ter filhos, e sim, eventualmente, verás alguns morrer. Ou vão-te ver morrer a ti.
É isto que eu acredito que a amizade significa. E peço desculpa por ter que por tamanho fardo em vocês. Mas puseram o mesmo fardo em mim.
Agora podem-me dizer algo em que acreditem, dado que é a vossa vez, e que é assim que a amizade funciona.

sábado, 12 de abril de 2014

A viagem antes do amanhecer


Eu leio o que deixas nos espaços públicos. As músicas que referencias. As citações que citas. Eu sei que é sobre mim. Consigo sentir-te a pensar em mim. Quero dizer-te que sei e que sinto o mesmo.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O amar como a luz do sol


Espero que um dia todos possam amar alguém como amam respirar o ar ou beber água. Como se fossem fundamentais para a vossa existência, precisos e necessários.
Espero que possam amam como a gravidade ama, como o sol ama a terra.
Como a quente luz do sol faz crescer as plantas.
Espero que um dia todos possam amar alguém como eu hoje amo.

domingo, 6 de abril de 2014

Os edifícios continuam a cair


Não cantam o hino nacional pelo ar nem põe uma bandeira no mar.

Então fazem estas coisas pelo chão que têm debaixo dos pés. Porque se esquecem que não pertence a ninguém. Porque se esquecem que o chão, também se pode mover.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O astrolábio de prata


Lembra-te,

Existe um mapa por baixo da tua pele e as tuas veias são rios, há direcções e instruções escritas em segredo nos teus ossos, existe uma estrela que não consegues ver que brilha num Norte que nunca conhecerás.

E uma corrente secreta, debaixo das ondas, que te levam até ao final de ti.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O ferro nestas linhas


Nunca pares e nunca assentes, mas assenta para aquele que te deixa desenhar cidades na sua pele com as pontas dos dedos.
Nunca pares e nunca assentes, mas assenta para aquele que sabe que algumas pessoas são ensinadas a perguntar por ajuda mas nunca a quem perguntar.
Nunca pares e nunca assentes, mas assenta para aquele que te faz querer ser melhor.
E assenta.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O dia em que o tempo esperou por mim


Eu espero porque já saíste e o meu trabalho aqui está feito. Eu espero e penso sobre como parece que a minha pele é feita de cartas de amor escritas à centenas de anos atrás. Eu penso no mistério da vida e sobre o que pode restar no final. Eu penso na dor e no amor e no tempo e no quanto de cada eu carrego. Eu penso em como não me consigo lembrar de nada da minha vida antes de te conhecer. Eu penso no mais pequeno dos toques e tento, desesperadamente, manter as memórias vivas. Eu penso na solidão. Eu penso em quando te vou voltar a ver. Eu espero. E eu penso.

terça-feira, 25 de março de 2014

As pedras das outras casas


Interrogo-me sobre se as casas sentem falta umas das outras.
Penso se será possível ouvi-las ranger durante a noite, em dor por qualquer outra estrutura que tenham um dia conhecido.
Uma vista de uma janela mudada para sempre por uma demolição, uma tempestade ou um fogo. Um lugar onde as coisas costumassem viver.
Porque seria o universo tão cruel, para construir duas casas tão perto uma da outra, apenas para depois tirar uma?
O que seria da casa que sobra, ao lado das ruínas da outra?