domingo, 28 de janeiro de 2024

Vibrações


Sentado no carro, com a música a soar aos meus ouvidos, a calma e simultaneamente o medo fazem-me companhia, até que chegas tu para desatinar o meu eu, para me deixar sem saber o que sinto e o que penso. Sentas-te a meu lado e eu abro a boca para te perguntar o que fazes ali, colocas o dedo nos meus lábios em jeito de os silenciar mesmo antes de sair qualquer palavra. Dizes que não preciso de dizer nada, enquanto me olhas nos olhos e me pedes desculpa. A música acaba e eu não sei porque pedes desculpa. Tudo o que me fazes é certo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Scrambled Mess


Há momentos em que não sei o que fazer, o que dizer. Momentos demais, até. E não se trata de proferir para o mundo lá fora, é uma questão de não saber o que explicar cá dentro. Tudo parece a maior das confusões. Nada se assemelha à simplicidade. Ninguém está onde é suposto. É como se estivesse parado no centro de um mundo em roda viva cheio de outros centros onde tudo parece normal. Não está!. Nada está, na verdade. A confusão instala-se. O desconcerto permanece. Como sigo um caminho que desconheço? Como vou, uma vez mais, construir cada pedaço de mim? Convencer-me, suportar a dor e voltar a arriscar perder cada bocado? Quero explodir e não posso. Quero ir embora e ainda não consigo. Quero não sei o quê. Desejo não sei que mais.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Rasgar o Passado


Não, pára, já chega. Chega de me indicares o caminho errado, chega de me vendares os olhos e dizeres que, quando eu cair de tanto rodar, me vais agarrar. Dizes-te guerreira e combates comigo, desferes golpes mas não me queixo. Mas porque não me deste uma arma também? Este sangue não é a brincar. Chega.
Os ausentes fazem sempre mal em voltar. Destroem-nos o coração e não nos deixam rasgar o passado.