Hoje saciei a vontade de há muito. Fui desenhando, entre soluços, pequenas palavras, construindo frases repletas de pudor. Cheguei até a ter receio de reler tudo o que tinha escrito, talvez tenha sido essa a razão porque não o fiz. Despedi-me de ti, não da maneira mais pertinente porque me mostrei fraco e, enquanto os meus dedos te desenhavam eu olhava a rua, estava a chover. Abri a gasta porta de madeira e descalço, com a carta de despedida na mão, fui sentir cada gota de água deslizar sobre a minha pele demasiado quente. As palavras entrelaçavam-se umas com as outras, diluídas pela chuva. Peguei num pouco de tinta dessa inútil carta e deixei que ela se incorporasse na minha face molhada. Nunca me vou conseguir despedir de ti.