.jfif)
Queria dizer-te alguma coisa, ir ter contigo ou ligar-te apenas, mas depois do que me disseste tudo parece insuficiente. No início dava voltas à cabeça, ria dos preparativos que me fazia para te ver, sonhava bem alto, tão alto que se ouvia quando passava na rua. Hoje tenho medo de pensar em ti. Trazes imagens que não desejo. Olho para trás na mesma rua onde já sonhei alto e aperto os olhos de dor. Enganei-me. Fui cego. Fui imprudente. Tenho pena de não poder reivindicar nada, de não haver nada para te atirar à cara. Afinal, hoje em dia, não há confiança e as pessoas só se respeitam se houverem pré-tratos e nós nunca tivemos um, nós nunca verbalizamos coisa nenhuma. Eu ainda sou daqueles que acredita nos sentimentos como o bem mais precioso, como o elo mais fraco e o alvo mais fácil de atingir. E eu abri tanto os meus para ti. Queria dizer-te alguma coisa, talvez por ainda te querer, por não sentir raiva nem nuvens negras no peito magoado, mas depois do que passamos tudo me parece insuficiente. Quem me assusta és tu por seres tão cega, embora seja a minha cegueira que me desespera. Eu até que era bom no escuro. Agora percebo porque te encontrava aí. Abriste as persianas e deixaste o sol entrar tão bruscamente que feri a visão turva. Vi tão claramente que ainda hoje não durmo com medo de acordar com claridades como aquela. Queria dizer-te alguma coisa, mas depois da persiana que abriste não tenho voz. Percebo que o erro é teu, que a cegueira é minha e que não posso correr porque não vejo. Volta e concerta ou quebra de vez.