sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Questões de Genética


Tocam-se os rumos das nossas mãos, cruzam-se as nossas vidas e acreditamos. O meu braço no teu ombro, a vida inteira. Não estava destinado, nós é que escolhemos que fosse assim. Sonhamos juntos, que há um lugar só nosso para sonharmos, mesmo que acordados.
Todos fazemos barbaridades por amor. Nos genes humanos vem impressa uma capacidade de auto preservação que faz com que tenhamos o sangue frio suficiente de passar por cima de tudo e todos quando se tem em vista o destino final da felicidade. Eu não sou diferente, por muito que me apontem o dedo a culpa não é minha. Tenho esta vontade tão egocêntrica de o querer para mim, só para mim e não a consigo contrariar.
Eventualmente, deve haver um limite para isto, não sei até que ponto consigo ser uma má pessoa.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Sorriso Amarelo


Olha, queres ver? Queres ver o que o tempo nos fez? O que as horas escuras e gastas nos fizeram? Até mesmo os sorrisos perdidos, falsos e vazios, até mesmo o medo implícito nos dias que não passaram, é que até mesmo o amor que juraste ter, uma vez, para ti tudo era mentira, era simples esquecer, esquecer os espaços que pisámos juntos, e para mim era quase impossível nem sequer revê-los. Melhor, eu nem sequer sei o que para ti é verdade. Por isso, tu continuavas aquilo a que chamavas vida, seguias sempre em frente. Hoje sabes onde estás, no fundo do mais fundo, assim, eternamente. Para ti ainda tenho um sorriso, aquele que guardei, não sei se na alma ou no coração, mas é para ti, um dia, tu sabes, entregar-to-ei em mão.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Gravidade (Zero)


Dizer que te conheço no escuro, no meio da multidão, é grave. Eu nunca me vou esquecer. Sei como te apoias no pé direito de braços cruzados, sei as formas do teu rosto quando sorris e de como levantas o olhar por cima da minha cabeça quando o fazes. Sei do charme que te transpira do corpo. Sei de como te sirvo para as horas vagas, sei do teu andar e do choque da tua boca, da frieza das tuas mãos. Sei dessa frustração emocional, que encarnas como se a vida fosse um jogo, como se eu fosse uma vítima. Dizer que te conheço os tiques e manias é grave. Que te descubro de olhos fechados, que ouço aos meus ouvidos a música que fazes com a voz desumana. Nunca me vou esquecer. E, às vezes, ainda me deito a pensar que só gostava que aprendesses a lembrar-me.